! Grandes países emergentes pedem mais influência no FMI - 04/09/2009 - Reuters - Economia
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04/09/2009 - 18h17

Grandes países emergentes pedem mais influência no FMI

Por Lin Noueihed and Sujata Rao

LONDRES (Reuters) - As maiores economias emergentes do mundo exigiram nesta sexta-feira mais voz no Fundo Monetário Internacional (FMI), provocando uma disputa sobre quais países devem abrir mão de parte desse poder.

Brasil, Rússia, Índia e China, grupo de países conhecido como Bric, propuseram uma mudança de 7 por cento nas cotas a favor de países em desenvolvimento, mais que os 5 por cento que os Estados Unidos estavam propondo segundo informações de fontes à Reuters.

O grupo argumenta que a divisão de poder no FMI deve ser proporcional à sua influência econômica, que tem se fortalecido nos últimos anos pelo crescimento das exportações e por grandes quantidades de reservas em dinheiro.

Embora Estados Unidos e Europa concordem, de modo geral, que esses países merecem maior representação no FMI, não há consenso sobre como executar essa ideia porque as nações não estão dispostas a ver seu próprio poder diluído.

Espera-se que o tema esteja na agenda do encontro entre líderes de Finanças do G20 deste final de semana em Londres, e volte a ser discutido na reunião de chefes de Estado no final do mês em Pittsburgh.

"Este é o começo da reforma do FMI", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Em comunicado divulgado depois do encontro em Londres nesta sexta-feira, as nações do Bric afirmaram que as cotas foram injustamente distribuídas no FMI e no Banco Mundial, o que "enfraquece severamente sua legitimidade".

O documento não especificou quais países o Bric acha que devem abrir mão de parte do poder. O ministro de Finanças da Arábia Saudita disse que seu país não deve ser um deles.

"Isso não deve ocorrer às custas de outros países emergentes e em desenvolvimento", afirmou à Reuters Ibrahim al-Assaf. "Essa é a posição do Reino da Arábia Saudita e... a posição de muitos membros do FMI."

Além da mudança das cotas, os EUA propuseram dar aos países emergentes mais voz ao reduzir o número de assentos no conselho do FMI de 24 para 20 sem diminuir o número destinado aos mercados emergentes. Mas chegar a um acordo sobre quais nações perderão lugar é um pesadelo político.

A Europa enxerga esse movimento como uma ameaça à sua influência no FMI, uma vez que países como a Itália são frequentemente citados como prováveis canditados a perder assento.

Autoridades europeias têm dito que preferem ver uma mudança de cotas de países com representação exagerada e listaram a Arábia Saudita entre as nações que devem perder algum poder. Muitas autoridades da Europa também gostariam de ver a cota dos Estados Unidos reduzida, para que o país não tenha mais poder de veto.

Mantega deixou claro quais países ele considera que devem sofrer mudanças na representação. "Hoje muitos países têm perdido muito de sua importância e, dessa forma, eles são super-representados. Eles devem transferir parte dessas cotas a países emergentes."

(Colaborou Patrick Graham)

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