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11/09/2009 - 19h51

Consumo firme e indústria tiram Brasil da recessão

Por Daniela Machado

SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil saiu da recessão técnica no segundo trimestre, levando economistas a prever um final de ano menos pessimista e o governo a cantar vitória sobre a crise global.

A economia brasileira cresceu 1,9 por cento frente ao início deste ano e recuou 1,2 por cento na comparação com 2008, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta sexta-feira.

Economistas consultados pela Reuters previam expansão de 1,6 por cento na comparação trimestral, segundo a mediana de 20 estimativas que variaram de 0,7 a 2,2 por cento. Na comparação com 2008, a mediana das projeções apontava queda de 1,5 por cento.

"O Brasil é o país com uma das recuperações mais rápidas do mundo", comemorou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, prevendo que no terceiro trimestre o país pode crescer entre 2 e 3 por cento frente aos três meses anteriores. No ano, a previsão é de 1 por cento de expansão.

"Em incentivos do governo, em desonerações, estamos gastando entre 1 e 1,5 por cento do PIB em 2009, enquanto a China pretende gastar 13 por cento do PIB... e nos Estados Unidos os gastos do governo com incentivos têm ficado em torno de 6 e 7 por cento do PIB, mas sem apresentar os resultados positivos como no Brasil."

Segundo o IBGE, para que a economia encerre 2009 nas projeções da Fazenda, o avanço necessário na segunda metade do ano é de 3,4 por cento.

Para o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o Brasil já está numa trajetória de crescimento sustentável, mas "não é hora de baixar a guarda". "Precisamos, em primeiro lugar, manter o equilíbrio macroeconômico no Brasil", disse.

A desoneração tributária adotada pelo governo para enfrentar a crise impulsionou o consumo das famílias e contribuiu para que a economia deixasse a recessão, afirmou o

IBGE.

"É claro que a redução de IPI ajudou na retomada do crescimento do PIB", avaliou a gerente de contas trimestrais do IBGE, Rebeca Palis.

MELHORA DAS PREVISÕES

A partir dos dados, alguns analistas começam a considerar um desempenho melhor da economia brasileira no ano do que o previsto até então.

"A economia já vinha surpreendendo, e o dado do segundo trimestre é a cereja do bolo, para tirar qualquer dúvida em relação à recuperação", disse o economista sênior da Santander Asset Management, Ricardo Denadai. Ele melhorou a previsão para o ano de contração de 0,5 por cento para estabilidade, após a divulgação do IBGE.

"Durante a crise, o mais impressionante é o comportamento do consumo interno... O que houve é que a crise atingiu o país quando o mercado de trabalho estava na melhor fase e, mesmo no pior momento das demissões, a renda real (se manteve bem) e contrabalançou."

Levando em conta os dados do segundo trimestre deste ano frente ao primeiro, o consumo das famílias aumentou 2,1 por cento e o do governo teve variação negativa de 0,1 por cento. Já a formação bruta de capital fixo, uma medida dos investimentos, permaneceu estável.

Mantega avaliou que os investimentos só devem dar sinais firmes de recuperação a partir do quarto trimestre.

Pela ótica da oferta, o maior destaque foi a indústria --com crescimento de 2,1 por cento, depois de dois trimestres em queda. Serviços avançaram 1,2 por cento, enquanto a agropecuária recuou 0,1 por cento.

HERANÇAS

Frente ao mesmo trimestre do ano passado, a indústria despencou 7,9 por cento e a agropecuária caiu 4,2 por cento, enquanto serviços avançaram 2,4 por cento. A formação bruta de capital fixo desabou 17,0 por cento --pior desempenho da série histórica do IBGE, com início em 1996.

"A volta dos investimentos é essencial para dar robustez ao crescimento. O que a gente tem visto, essa resiliência do consumo, naturalmente traz investimentos adiante, mas a confirmação disso é o que vai dar robustez ao crescimento", comentou Zeina Latif, economista-chefe do ING no Brasil.

Denadai, da Santander Asset, lembrou que a confiança do empresário teve "melhora expressiva" nos últimos meses, o que tende a incentivar os investimentos.

"Acho que a recuperação não vai acontecer no terceiro trimestre em razão da ociosidade ainda elevada da economia... A recuperação mais forte do investimento vai ser mesmo em 2010", ponderou.

Ele também citou que, embora esteja se recuperando, o Brasil não avançou com reformas estruturais importantes, e o quadro fiscal levanta preocupações. "Os indicadores fiscais não pioraram tanto tanto quando lá fora, mas pioraram."

(Com reportagem de Rodrigo Viga Gaier no Rio de Janeiro, Vanessa Stelzer, Paula Laier, Cesar Bianconi e Rodolfo Barbosa em São Paulo e Isabel Versiani em Brasília)

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