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11/09/2009 - 15h15

Lula critica presidente da Vale por comprar navios na China

BRASÍLIA, 11 de setembro (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou nesta sexta-feira do presidente da Vale , Roger Agnelli, maiores investimentos da mineradora nas indústrias naval e siderúrgica do Brasil.

Lula aproveitou um evento em Pernambuco, no estaleiro Atlântico Sul, para lembrar que empresas brasileiras de grande porte têm que investir mais no país.

"É impossível a Vale continuar comprando navio na China quando a gente está montando a indústria naval aqui", afirmou Lula a jornalistas.

"Ele disse para mim que a indústria naval brasileira não fabricava navio de 400 (mil) toneladas. Eu agora conversei com o Atlântico Sul. Você vai comprar um pouco mais barato, mas você está gerando emprego na China, gerando pagamento de salário na China. Isso muito importa para o país. Então nós vamos ter que construir no Brasil", completou.

Lula participou nesta sexta-feira --ao lado do presidente da Petrobras , José Sergio Gabrielli-- do batimento de quilha do primeiro navio do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), de um total de 49.

O batimento da quilha é uma cerimônia tradicional da indústria naval que simboliza o início da montagem do navio.

No ano passado, a Vale assinou um contrato de 1,6 bilhão de dólares com a chinesa Rongsheng Shipbuilding and Heavy Industries para construção de 12 navios para sua frota própria, com capacidade para 400 mil toneladas cada. [ID:nN04456750]

Neste ano, a Vale fez 49 encomendas a estaleiros brasileiros, que incluem 15 rebocadores, 32 barcaças e 2 empurradores.

Lula afirmou ainda que discutiu com Agnelli investimentos em siderurgia. Nesta semana, ele e o presidente da Vale se reuniram para tratar do programa de investimentos da mineradora, após vários comentários públicos de Lula sobre o assunto.

"Nós estamos discutindo há pelos menos uns quatro anos uma siderurgia no Espírito Santo, uma no Ceará, uma no Pará. Eu disse ao Roger que é preciso a gente começar a construir essas siderúrgicas porque era para a gente ter começado a construir no auge da crise", disse ele.

A Vale aumentou recentemente sua participação na Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) para viabilizar o término do investimento que faz em parceria com a alemã Thyssenkrupp no Rio de Janeiro. Anunciou também que vai começar a construir sozinha uma siderúrgica no Espírito Santo, após a desistência da chinesa Baosteel.

A mineradora deverá tentar atrair sócios depois de obtida a licença ambiental, já que não pretende ter posição majoritária no empreendimento.

(Texto de Fernando Exman e Camila Moreira, Edição de Denise Luna)

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