! China tem papel positivo na América Latina, vê Banco Mundial - 30/09/2009 - Reuters - Economia
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30/09/2009 - 15h18

China tem papel positivo na América Latina, vê Banco Mundial

Por Tom Brown

MIAMI (Reuters) - O papel da China em ajudar alguns países latino-americanos a superarem a crise econômica global ilustra a sua crescente presença numa região que durante muito tempo foi vista apenas como "quintal" dos Estados Unidos.

A opinião é de Pamela Cox, vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, em entrevista na terça-feira à Reuters. Para ela, o crescente poderio econômico-financeiro da China, especialmente na América do Sul, é mais do que bem-vindo, depois da crise surgida há um ano em Wall Street.

"O crescimento da China é uma coisa boa para a região de muitas maneiras. Isso levou muito crescimento à região", disse Cox, quando perguntada sobre por que o Brasil e outros países sul-americanos estão saindo da crise em condições muito mais favoráveis do que vários vizinhos do Norte.

Brasil, Peru e, em menor grau, Chile e Argentina têm se beneficiado de fortes laços comerciais com a China e da capacidade do gigante asiático de bancar uma retomada da sua demanda por matérias-primas, disse.

Ao mesmo tempo, o México e países da América Central e Caribe estão mais vinculados ao mercado dos EUA e por isso foram mais afetados pela crise, argumentou Cox, que participa em Miami de uma reunião copatrocinada pelo Banco Mundial para tratar das perspectivas econômicas e políticas da América Latina.

A retomada do mercado chinês para matérias-primas foi alimentada, ao menos parcialmente, pelo enorme estímulo fiscal dado pelo governo chinês para tentar reduzir os efeitos da crise que se aprofundou com a quebra do banco Lehman Brothers, há um ano, em Wall Street.

"UM MUNDO MUITO MAIS GLOBAL"

Cox disse que a necessidade de diversificar apostas é possivelmente a maior lição que a América Latina pode tirar da crise. Entre 2002 e 2008, metade do crescimento latino-americano se deveu ao aumento do preço das commodities, e agora está claro que os EUA não têm condições de importar todas as matérias-primas que a região tem para exportar.

"Noventa e cinco por cento das pessoas que vivem na América Latina vivem em um país que exporta commodities. Então isso é muito importante para a região, e é claro que a China tem sido um grande importador dessas commodities," afirmou.

"Embora os EUA tenham tradicionalmente visto a América Latina como seu quintal, a realidade é que vivemos em um mundo muito mais global do que há 20 ou 30 anos. Sou uma multilateralista. Acho que isso demonstrou que as economias precisam ser diversificadas, inclusive com seus parceiros comerciais."

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