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30/09/2009 - 17h01

Dólar cai 6% em setembro e mercado avalia mais quedas

Por Silvio Cascione e José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar afundou diante do real nesta quarta-feira, aproveitando o otimismo com a entrada de capitais no país e a disparada das commodities no exterior para marcar novas mínimas no mercado brasileiro.

A moeda norte-americana terminou o dia com baixa de 1,17 por cento, a 1,773 real. É a menor cotação de fechamento desde 9 de setembro de 2008.

No mês, a queda do dólar foi de 6,14 por cento. Em 2009, a moeda já acumula baixa de 24 por cento ante o real.

Para outubro, muitos analistas continuam apostando em manutenção da tendência de valorização do real.

"As perspectivas de mais entradas de dólares por meio de ofertas de ações e emissões (de dívida) devem sustentar o dólar em queda", avaliou Tarcísio Rodrigues, diretor de câmbio do Banco Paulista.

Nesta quarta-feira, o Banco Central confirmou que as operações no setor financeiro têm sustentado o superávit cambial do país. Entre as operações que chamaram a atenção do mercado em setembro está a oferta de ações do Santander Brasil, que está em período de reserva e pode alcançar até 15,6 bilhões de reais.

Nesta quarta-feira, a emissão soberana de bônus com vencimento em 2041 reiterou os sinais de apetite dos estrangeiros por ativos brasileiros.

Mas a tendência de baixa do dólar segue condicionada à manutenção do ambiente favorável no exterior, alertaram profissionais de mercado. Além disso, a queda do dólar abaixo de 1,80 real pode estar retraindo exportadores, o que tira liquidez do mercado.

Os dados do BC mostram fluxo negativo de 2,553 bilhões de dólares nas operações comerciais em setembro até dia 25.

Thaís Marzola Zara, economista-chefe da consultoria Rosenberg & Associados, trabalha com a manutenção do patamar atual no curto prazo e destaca a posição vendida dos bancos no mercado à vista, que pode começar a retroceder.

Mas "ainda tem bastante empresa querendo abrir capital", afirmou, sobre a possibilidade de que o país continue a ver um fluxo firme de dólares nas operações financeiras.

QUEDA NO DIA

A sessão desta quarta-feira foi marcada pelo vencimento de derivativos e a disputa em torno da taxa de referência para a liquidação desses contratos.

Segundo operadores, houve alguma resistência à queda pela manhã, mas à tarde, com o aprofundamento da baixa do dólar no exterior e a alta do preço das matérias-primas, prevaleceu o interesse dos vendidos em dólar.

No fim da tarde, o índice Reuters-Jefferies de commodities subia 2,9 por cento. No mercado de moedas, o dólar caía 0,5 por cento ante uma cesta com as principais moedas após a surpresa negativa dos investidores com a atividade no Meio-Oeste dos Estados Unidos.

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