! Líder norte-coreano Kim Jong-Il corteja premiê chinês Wen Jiabao - 04/10/2009 - Reuters - Economia
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04/10/2009 - 12h34

Líder norte-coreano Kim Jong-Il corteja premiê chinês Wen Jiabao

Por Chris Buckley

PEQUIM (Reuters) - O líder supremo norte-coreano, Kim Jong-Il, fez uma rara aparição pública para saudar o premiê da China, Wen Jiabao, no início de uma viagem do chinês à Coreia do Norte.

A viagem de Wen já resultou em uma declaração de Pyongyang de que está disposta a discutir suas armas nucleares.

Um relato da agência de notícias chinesa Xinhua disse que o premiê Wen foi recebido no aeroporto por Kim, o líder recluso que domina as decisões mais importantes da Coreia do Norte.

Mais tarde, Wen se reuniu com o premiê norte-coreano, Kim Yong-Il --que não tem parentesco com seu líder supremo--, que lhe disse que Pyongyang está aberta a discussões sobre seu programa de armas nucleares, que atraiu sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas apoiadas por Pequim.

A aparição pública incomum de Kim Jong-Il, seguida pelas palavras tranquilizadoras do premiê Kim, demonstraram até que ponto a Coreia do Norte está interessada em reforçar suas relações com Pequim, que dá ajuda econômica e apoio diplomático essenciais a seu vizinho pobre.

Acredita-se que Kim Jong-Il tenha sofrido uma doença grave no ano passado, e é raro que ele receba pessoalmente um visitante em sua chegada ao país. Mesmo suas audiências são incomuns.

A televisão estatal chinesa mostrou Kim abraçando Wen após a chegada deste. Kim aparentava estar magro e pálido, mas suficientemente forte para saudar uma longa fila de autoridades chinesas sorridentes.

A viagem de Wen coincide com o 60o aniversário das relações formais entre os dois países comunistas vizinhos. Sua estadia de três dias na Coreia do Norte provavelmente vai incluir gestos tranquilizadores de amizade, e não as negociações duras sobre as armas nucleares de Pyongyang que preocupam outras potências.

Mas analistas disseram que a China, o país que chega mais perto de ser aliado da Coreia do Norte, não enviaria um visitante de tão alto escalão se não tivesse recebido de Pyongyang alguma garantia de que esta aliviaria as tensões em torno de suas atividades com armas nucleares, após seu segundo teste nuclear e suas alegações de que fez progressos no enriquecimento de urânio.

"Esta visita provavelmente vai focar o reforço das relações bilaterais e o 60 aniversário delas, mas é certo que a questão nuclear também será discutida", disse Zhu Feng, professor de segurança internacional na Universidade de Pequim.

"A questão chave será saber se a Coreia do Norte irá além de suas declarações recentes e expressará diretamente sua disposição em voltar às negociações entre as partes (sobre desarmamento nuclear)", disse Zhu. "Essa deve ser a meta da China para esta visita."

Numa reunião com Wen, o premiê norte-coreano Kim Yong-Il (sem parentesco com Kim Jong-Il) não foi tão longe assim.

Mas, segundo a televisão estatal chinesa, ele disse que a Coreia do Norte nunca abandonou a meta de "desnuclearizar" a península coreana.

"Estamos dispostos a buscar essa meta através de conversações bilaterais e multilaterais", disse o premiê Kim.

Analista disseram que Pyongyang pode estar querendo acalmar as tensões regionais em torno de seu pequeno arsenal atômico, mas não deu sinais de querer desistir totalmente de sua capacidade nuclear.

Ainda segundo a televisão chinesa, Wen aprovou a promessa norte-coreana de buscar a "desnuclearização".

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