! Petrobras pode abrir licitação internacional para Abreu Lima - 05/10/2009 - Reuters - Economia
UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

05/10/2009 - 17h12

Petrobras pode abrir licitação internacional para Abreu Lima

RIO DE JANEIRO, 5 de outubro (Reuters) - A Petrobras avalia recorrer ao mercado internacional se a terceira chamada de licitação para o último pacote da refinaria Abreu Lima, em Pernambuco, continuar com preço acima do esperado, afirmou o diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa.

O último dos cinco pacotes de licitação da obra, que fará a interligação de todas as unidades da refinaria, está na terceira tentativa de preço, informou o executivo.

"Já chegamos a um acordo para os outros quatro pacotes, mas o de interligações está no 'tribid'... se o terceiro bid não der certo, a gente abre para licitação internacional", disse Costa, admitindo que nesse caso a obra poderia sofrer atrasos.

A refinaria Abreu Lima terá capacidade para processar 230 mil barris/dia de petróleo pesado, sendo metade do Brasil e metade da Venezuela, que desde 2003 conversa com a estatal para se associar ao projeto.

A última tentativa de assinar o contrato, em 28 de setembro, durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país vizinho, foi novamente frustrada e não há data prevista para celebrar o acordo.

Costa garantiu que não há mais nenhuma pendência com a estatal venezuelana PDVSA para a assinatura do contrato, mas que o local ideal para isso seria a própria refinaria, em Pernambuco. "Tem que ser feito em Pernambuco", disse sem dar detalhes.

O custo da refinaria, estimado em 4 bilhões de dólares em 2006, pulou para um orçamento de 12 bilhões de dólares e vem sendo sucessivamente questionado pelo Tribunal de Contas da União, que sugeriu inclusive a paralisação da obra, não acatada pela Petrobras.

Costa explicou que, levando em conta apenas a desvalorização cambial em relação a 2006, o impacto na obra é de acréscimo de US$ 2 bilhões.

"Era R$ 2,50 e hoje a gente usa R$ 2,10", informou.

Além disso, ele explicou que a terraplanagem considerada pelo TCU é a mesma para a construção de rodovias, "e eu não posso fazer a mesma estrutura porque a refinaria é muito mais pesada", lembrou.

Costa ressaltou ainda que para agravar o orçamento a expectativa de queda de preços devido ao desaquecimento do mercado internacional, com a crise financeira, não se concretizou.

"Os preços não caíram, o aço no Brasil não caiu, a mão de obra não caiu", enumerou.

Planos Firmes
O executivo afirmou ainda que os planos para as outras refinarias da empresa --no Ceará e no Maranhão-- continuam firmes e dentro do cronograma.

"A Petrobras vai acompanhar 'pari passo' produção e refino", disse, ao ser perguntado se após a descoberta do pré-sal a empresa não pensa em fazer mais uma refinaria para processar o óleo mais leve da região, além das refinarias do Ceará e do Maranhão.

Atualmente a Petrobras tem capacidade para refinar 1,9 milhão de barris diários, praticamente o mesmo volume da demanda.

Depois de terminadas as novas refinarias --Comperj, Abreu Lima, Ceará, Maranhão e Rio Grande do Norte--, por volta de 2015, a empresa terá mais 1,2 milhão de barris de capacidade de refino, somando 3,1 milhões de b/d.

Com a entrada da produção de petróleo do pré-sal em larga escala, por volta de 2017, a Petrobras produzirá mais 3,3 milhões de barris diários de petróleo.

Como já foi definido que o país não fará parte da Opep (Organização dos Países exportadores de Petróleo), a tendência é que seja construída mais uma refinaria no país.

Costa, no entanto, afirmou que no momento não há planos nesse sentido.

(Por Denise Luna; Edição de Roberto Samora)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host