UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

08/10/2009 - 19h12

Clarín denuncia funcionário do governo por tentar expropriação

BUENOS AIRES (Reuters) - A forte disputa entre o governo argentino e os principais meios de comunicação do país se agravou nesta quinta-feira depois que um funcionário do governo foi denunciado na justiça por ter ameaçado intervir na maior empresa provedora de papel aos jornais.

Segundo o Grupo Clarín, principal conglomerado de comunicação da Argentina, o secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, alertou os acionistas da empresa Papel Prensa que pode emitir um decreto para que o Estado assuma a companhia por não estar de acordo com sua administração.

A Papel Prensa é controlada pelo Clarín, que poderia se ver obrigado a vender rapidamente alguns de seus veículos se o Congresso aprovar na sexta-feira um projeto de lei de radiodifusão que busca reduzir a concentração no setor.

Segundo o governo, a norma pretende democratizar a propriedade dos meios de comunicação.

Já as empresas jornalísticas garantem que o governo procura cercear a liberdade de imprensa deixando nas mãos de empresários próximos ao governo os principais meios de comunicação do país, na maioria críticos da gestão da presidente Cristina Kirchner.

Moreno foi acusado pela oposição de obrigar os empresários locais a assinar acordos de preços com o governo e de manipular estatísticas oficiais.

O Clarín é o principal acionista da Papel Prensa com 49 por cento das ações, da qual também possui participações no diário La Nación e Estado.

Segundo uma ata da reunião, enviada nesta quinta-feira pela Papel Prensa à Bolsa de Comércio de Buenos Aires, Moreno expressou a "desconformidade" do Estado com a gestão do diretório da empresa e advertiu que "ia intervir na sociedade Papel Prensa mediante um decreto de necessidade e urgência que estava elaborando".

A ata mostrou que Moreno acrescentou que sua intenção era que o Estado "compre as ações da Papel Prensa dos meios privados".

Antes de finalizar o encontro, Moreno proibiu aos presentes divulgar o que foi conversado na reunião e os alertou que se o fizessem "responderiam perante a lei".

"E, além disso, como vocês devem ter visto, ali fora estão meus rapazes especialistas em partir a coluna e fazer saltar os olhos de quem fale", ameaçou, sempre segundo a ata.

(Reportagem de Karina Grazina)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host