! Fibria fecha venda de Guaíba e retoma plano de expansão - 08/10/2009 - Reuters - Economia
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08/10/2009 - 13h24

Fibria fecha venda de Guaíba e retoma plano de expansão

Por Stella Fontes

SÃO PAULO (Reuters) - A Fibria, maior produtora mundial de celulose de eucalipto, fechou a venda de unidade Guaíba (RS) para a chilena CMPC por 1,43 bilhão de dólares e se prepara para retomar planos de expansão que foram engavetados, agora com tom mais conservador.

A companhia prevê expansão da capacidade de celulose em 3 milhões de toneladas até 2020, volume inferior ao almejado na apresentação da empresa resultante da união de VCP e Aracruz em setembro, de adição de até 6,7 milhões de toneladas.

Conforme a direção da Fibria, não há intenção de se desfazer de outros ativos. A unidade gaúcha foi vendida para reduzir a alavancagem do grupo, depois de perdas bilionárias com derivativos de câmbio e dispêndios relacionados à fusão que deu origem à companhia.

De acordo com o diretor de Tesouraria e Relações com Investidores da Fibria, Marcos Grodetzky, a companhia está trabalhando em operações de crédito com prazos de 5 a 10 anos junto a bancos, e anunciará em breve o novo perfil de seus passivos. A empresa terminou junho com dívida líquida de 13,4 bilhões de reais.

"Até o final de outubro teremos o total alongado", afirmou o executivo a jornalistas.

A Fibria informou nesta quinta-feira ter assinado contrato de venda da unidade Guaíba para a rival CMPC, semanas depois de um memorando de intenções firmado com o grupo chileno.

O pagamento por Guaíba será em duas parcelas, a primeira de 1 bilhão de dólares na conclusão do negócio, o que deve ocorrer em 15 de dezembro. A segunda será paga 45 dias após a primeira, corrigida a uma taxa de 7,5 por cento ao ano.

ALAVANCAGEM

Pelos cálculos de analistas, citados por executivos da Fibria, a entrada de recursos poderá reduzir a alavancagem da companhia, medida pela relação dívida líquida/Ebitda, de 7,8 vezes para no máximo 6 vezes no final de 2009. Em 2010, a relação cairia a 4 vezes.

Grodetzky afirmou que, mantidas as condições favoráveis no mercado de celulose, a companhia estará apta a retomar o grau de investimento entre o final de 2010 e o início de 2011.

No começo do ano que vem, a Fibria quer retomar o plantio de florestas para o projeto de expansão da Veracel, parceria com a sueco-finlandesa Stora Enso no sul da Bahia.

De acordo com o presidente da Fibria, Carlos Aguiar, as sócias já acertaram a retomada do plantio, com a perspectiva de iniciar a construção do projeto industrial em 2011, com entrada em operação em 2013.

A Veracel II deverá ter capacidade de produção de 1,5 milhão de toneladas anuais de celulose.

"Após a Veracel II, vamos verificar o momento para um segundo projeto", destacou Aguiar.

Atualmente, a capacidade instalada da Fibria é superior a 6 milhões de toneladas por ano de celulose e papel.

GUAÍBA

Os ativos vendidos pela Fibria à CMPC incluem uma fábrica de celulose de 450 mil toneladas e licenças e autorizações para um projeto de expansão que pode elevar a capacidade anual para 1,75 milhão de toneladas. Além disso, uma unidade de papel de 60 mil toneladas e terrenos com área de 212 mil hectares.

"A CMPC iria crescer de qualquer maneira, na Argentina, no Uruguai ou no Brasil", disse Aguiar, ao ser questionado sobre a presença de mais uma concorrente em território brasileiro.

Apesar da venda de Guaíba, a Fibria manteve equipamentos industriais avaliados em 180 milhões de dólares que foram comprados para a expansão da unidade. Tais ativos serão usados em projetos futuros da companhia.

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