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09/10/2009 - 17h45

Para analistas, crescimento do Brasil acima de 5% em 2010 é factível

Por Paula Laier

SÃO PAULO (Reuters) - Estimativas de crescimento do Brasil acima de 5 por cento em 2010 são factíveis, argumentam analistas, com respaldo tanto em efeitos estatísticos como em perspectivas de manutenção da demanda doméstica e recuperação de investimentos.

Além disso, a economia terá o impacto ainda presente de políticas econômicas expansionistas adotadas neste ano.

Nesta semana, ao descartar a necessidade de aumento do juro básico, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, classificou como "excesso de otimismo" tais projeções.

Os contratos de juros futuros vêm colocando no preço a preocupação de que a forte retomada doméstica resulte em pressão inflacionária e alta na Selic.

"Não se sustentam as ideias de que estaremos (crescendo) acima de 5 por cento (em 2010)", afirmou durante balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Para ele, o país vai se expandir de 4,5 a 5,0 por cento no ano que vem, mas não mais que isso.

O último relatório Focus aponta expansão de 4,5 por cento em 2010, após crescimento de 0,1 por cento em 2009, mas diversas instituições financeiras já vêem um desempenho mais forte da economia.

"Trata-se de uma estimativa que, além de não ser otimista, é a mais provável (a de crescimento superior a 5 por cento)", defendeu Virgílio Castro Cunha, economista do BofA Merrill Lynch Global Research, em São Paulo, que prevê expansão de 5,3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano.

Além de uma recuperação da produção industrial, após desaceleração muito forte neste ano, o economista destaca o efeito "carry over". Isso deve garantir pelo menos uma alta de 3,5 pontos percentuais no PIB de 2010, segundo as projeções da instituição, que prevê crescimento de 0,5 por cento este ano.

O "carry over" é um efeito estatístico que considera o crescimento levado de um ano para outro. Se há uma aceleração forte no final do ano, como se espera para o segundo semestre de 2009, o impacto tende a ser mais alto.

André Loes, economista-chefe do HSBC em São Paulo, também calcula crescimento de 5,3 por cento do PIB em 2010, após alta de 0,4 por cento em 2009. Ele cita aceleração no consumo das famílias e elevação muito forte nos investimentos --reflexo de uma retomada da confiança, além da base de comparação fraca.

O economista-chefe da Confederação Nacional da Indústria, Flávio Castelo Branco, espera que os investimentos ganhem mais gás a partir de 2010, quando a economia entrará em um círculo virtuoso e os novos projetos das empresas passarão a contribuir para o aquecimento da atividade.

EFEITO DOS GASTOS

Para a equipe do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, em São Paulo, instrumentos expansionistas de política econômica adotados em 2009 --como os cortes de juro, a expansão fiscal e o crédito-- justificam previsão de avanço de 5,4 por cento da economia no próximo ano, após expansão de 0,1 por cento em 2009.

Tony Volpon, estrategista para América Latina do Nomura Securities, em Nova York, cita ainda os gastos ligados ao período eleitoral e a taxa de juro real baixa como fatores para o avanço do PIB em 2010, que ele prevê em 5,5 por cento.

"Não haverá corte de gastos, o crédito subirá e a mudança do juro será relativamente lenta, o que levará a um crescimento forte".

(Com reportagem adicional de Isabel Versiani)

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