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09/10/2009 - 09h13

Presidente do BC coreano suaviza discurso e reduz visão de juro maior

Por Seo Eun-kyung

SEUL, 9 de outubro (Reuters) - O presidente do banco central da Coreia do Sul abateu as expectativas de uma alta de juros neste ano, dando crédito aos esforços do governo para desacelerar o setor imobiliário e evitar um aperto monetário que pode prejudicar a recuperação econômica.

Nos últimos meses, o Banco da Coreia vinha colocando o "boom" do setor imobiliário como sua principal preocupação, e seus contínuos alertas sobre estar pronto para elevar o juro para conter uma eventual bolha levaram os mercados a apostar em uma alta da taxa no mês que vem.

Com isso, o presidente do BC, Lee Seong-tae, bateu de frente com o governo, que conta com o banco central mantendo a política sem apertos, argumentando que tal movimento poderia reverter a recuperação econômica.

Nesta sexta-feira, o BC manteve a taxa básica de juro no recorde de baixa de 2 por cento, conforme o esperado, e mudou sua avaliação, dizendo ver sinais de moderação do mercado imobiliário no último mês, em parte graças aos controles sobre o crédito.

"O mercado imobiliário mostra sinais de moderação desde meados de setembro. O mercado imobiliário em estabilização pode reduzir o peso sobre as autoridades monetárias", disse Lee a jornalistas.

"O governo tomou uma série de medidas regulatórias, que parecem estar funcionando para reduzir o ritmo de crescimento dos empréstimos imobiliários."

ALTA DE JURO

Analistas consultados pela Reuters após os comentários de Lee reduziram suas previsões sobre o aperto monetário, com apenas 3 de 10 prevendo uma alta neste ano.

A previsão marca uma forte reversão em relação a alguns dias atrás, quando a alta de juros do BC da Austrália, a primeira entre os países do G20 desde a crise, levantou especulações de que a Coreia poderia seguir o movimento em breve.

"O tom do presidente (do BC) mudou drasticamente", afirmou Jung Sung-min, analista de renda fixa do Eugene Futures.

"Ele parece estar contente com os esforços do governo para conter os preços imobiliários e os empréstimos residenciais. O foco dele mudou mais para as incertezas que a economia enfrenta, especialmente a fraca demanda. Após esses comentários, revi meu cenário de alta de juro em novembro e não vejo alta neste ano."

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