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10/10/2009 - 16h34

Irã diz que precisa de até 300 kg de combustível nuclear

TEERÃ (Reuters) - O Irã precisa de até 300 quilos de combustível nuclear para suprir as necessidades de um reator em Teerã por um ano e meio, teria dito um funcionário governamental no sábado.

Diplomatas ocidentais dizem que o Irã concordou em princípio --em conversações em Genebra em 1o de outubro-- em enviar 80 por cento do urânio pouco enriquecido que possui à Rússia e França para ser processado e devolvido a Teerã, para completar os estoques minguantes de combustível para um reator na capital que produz isótopos para tratamento anticâncer.

Segundo declarações divulgadas pela agência de notícias ISNA, Ali Shirzadian, representante da Organização iraniana de Energia Atômica, sugeriu que a proposta iraniana é entregar o urânio pouco enriquecido e receber em troca combustível refinado em 20 por cento.

"Essa proposta é viável, e decidiu-se que serão discutidas as diferentes maneiras de alcançar essa meta", disse ele.

"A quantidade de combustível que esse reator precisará depende de como o combustível funciona e seria entre 150 e 300 quilos por um período de um ano e meio."

Não ficou claro de imediato quanto isso representaria em termos de urânio que o Irã teria que mandar para fora do país. O estoque total de urânio pouco enriquecido do Irã chega a 1,5 tonelada métrica.

Autoridades iranianas, russas, francesas, americanas e da agência de energia nuclear da ONU vão se reunir em Viena em 19 de outubro para discutir as condições, como por exemplo a quantidade de urânio a ser enviado para fora do país, um cronograma e garantias de não proliferação regendo o uso do material.

Para as potências mundiais, a vantagem do acordo estará na redução do estoque iraniano de urânio pouco enriquecido, que não tem utilidade civil aparente, já que o Irã não possui usinas de energia nuclear em funcionamento --mas seria suficiente para mover uma bomba atômica, caso Teerã optasse por enriquecê-lo mais.

Para o Irã, que afirma que seu programa nuclear visa a geração pacífica de energia, o acordo preservaria a produção de isótopos médicos.

Indagado sobre o que aconteceria se as potências não cumprissem suas promessas, Shirzadian disse que o Irã informaria a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, da ONU) de que o país seguiria adiante para atender ele próprio às necessidades do reator de Teerã.

"Desde um ponto de vista econômico, é mais frugal o Irã comprar o combustível do reator em um lote grande, em lugar de montar uma linha de montagem para 200 quilos de urânio com concentração de 20 por cento", disse ele.

Na reunião de Genebra, o Irã também concordou em dar aos inspetores da ONU acesso a uma usina de enriquecimento de urânio que está em construção perto da cidade de Qom, e cuja existência foi revelada recentemente.

A República Islâmica rejeitou repetidas vezes as exigências de que suspenda seus trabalhos nucleares delicados, apesar de três rodadas de sanções da ONU desde 2006.

(Reportagem de Hossein Jaseb e Hashem Kalantari)

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