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12/10/2009 - 14h34

Assessor de Obama defende pacote de estímulo à economia

Por Patricia Zengerle

WASHINGTON (Reuters) - O principal assessor econômico do presidente norte-americano Barack Obama disse nesta segunda-feira que os Estados Unidos estão no caminho da recuperação econômica, os mercados financeiros estão mais estáveis e já se veem sinais iniciais de estabilização no mercado imobiliário.

"Graças em grande medida à Lei da Recuperação, lado a lado com um plano agressivo de estabilização financeira e um programa para manter proprietários responsáveis em seus imóveis residenciais, já nos afastamos substancialmente da beira do abismo econômico e estamos no caminho da recuperação econômica," disse Larry Summers em carta a ser enviada ao líder da bancada republicana na Câmara dos Deputados, John Boehner. A carta equivale a uma defesa da política econômica da administração democrata de Obama.

Obama enfrenta clamor crescente para tomar novas medidas para incentivar a economia e o crescimento do emprego, à medida que o índice de desemprego nos EUA se aproxima dos 10 por cento e que o país enfrenta déficits orçamentários crescentes. O quadro sombrio do desemprego pode colocar alguns dos aliados democratas do presidente em risco nas próximas eleições parlamentares, a não ser que os eleitores se convençam de que eles estão fazendo todo o possível para ajudar a economia.

"O que é mais importante é que estamos testemunhando uma mudança substancial na tendência de perda de empregos," disse Summers na carta, que a Casa Branca disse ter sido escrita em resposta a uma carta de Boehner a Obama, que ela não divulgou.

No terceiro trimestre de 2009, a economia americana perdeu em média 256 mil empregos por mês, índice descrito por Summers como "inaceitavelmente alto." Mas ele observou que foi quase um terço do índice de perda de empregos de dois trimestres atrás.

Um dilema que se coloca para Obama é que os republicanos, aproveitando a escalada do desemprego para 9,8 por cento, argumentam que o pacote de estímulo de 787 bilhões de dólares aprovado no início do ano não foi eficaz. Os republicanos defendem cortes adicionais nos impostos como solução para os problemas econômicos do país.

Summers disse que institutos privados de previsão estimaram que o programa de estímulo teria somado três pontos percentuais ao crescimento anualizado do PIB no segundo trimestre e que preveem um retorno da economia ao crescimento positivo no terceiro trimestre. Eles também previram que o índice de desemprego estará dois pontos percentuais menor até o final de 2010 do que teria estado sem o plano de estímulo, escreveu Summers.

Ele chamou a atenção para a melhora do desempenho do mercado acionário dos EUA desde o início do ano e disse: "As condições de nossos mercados financeiros se estabilizaram, e o risco de colapso financeiro recuou." E chamou a atenção para indicadores recentes que mostram que o mercado imobiliário, que esteve no cerne do colapso do mercado financeiro, também vem dando sinais de estabilização.

Criticando os republicanos que procuram culpar Obama pelo déficit orçamentário dos EUA, Summers observou que o presidente herdou um déficit superior a 1 trilhão de dólares quando chegou ao poder e disse que foram as políticas do antecessor republicano de Obama, o ex-presidente George W. Bush, que levaram ao déficit.

"O compromisso bipartidário com a disciplina fiscal que existiu durante a década de 1990 evaporou nos anos 2000. Cada política importante implementada durante esse período violou o princípio de se pagar por propostas novas", escreveu Summers.

Cortes nos impostos em 2001 e 2003 e que não foram compensados de outra maneira somaram mais de 2 trilhões de dólares à dívida nacional dos EUA, disse Summers. Os custos das guerras no Iraque e Afeganistão não foram pagos e, em 2003, o Congresso aprovou uma lei de medicamentos vendidos com receita médica do Medicare que não foi compensada por cortes nos gastos ou aumentos nos impostos.

Enquanto defende a reforma da saúde, sua maior prioridade em política doméstica, Obama vem insistindo que seus planos de reforma não vão fazer o déficit aumentar.

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