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14/10/2009 - 18h39

ENTREVISTA-Crescimento será vital para rating do Brasil, diz S&P

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - Mais do que boa saúde das contas públicas e externas, a taxa de crescimento econômico será o fator essencial para que o Brasil obtenha novas elevações em seu rating soberano, segundo a agência de classificação de risco Standard & Poor's.

"Uma das potenciais fortalezas daqui para a frente seria aumento na taxa de crescimento econômico", disse à Reuters nesta quarta-feira Sebastián Briozzo, diretor da área de ratings soberanos da S&P e responsável pela nota do Brasil.

A previsão da agência é de que o PIB do país tenha expansão de 3,5 a 4,0 por cento em 2010.

"Se conseguir crescer mais que isso e entendermos que é um movimento sustentável no médio prazo, pode ter peso importante sobre rating", acrescentou.

A última vez em que a S&P se manifestou formalmente sobre o país foi em abril, quando reafirmou a nota soberana em "BBB-" com perspectiva estável. Um ano antes, a S&P havia se tornado a primeira das grandes agências de classificação a elevar a nota brasileira para a faixa de grau de investimento.

No mês passado, a Moody's subiu o rating do país para degrau equivalente, mas também adotou perspectiva positiva, indicando que poderá voltar à carga com nova melhora da nota.

Com isso, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou que esperava movimentos semelhantes de outras agências internacionais de avaliação de risco para "empatar o jogo".

Para Briozzo, "não seria surpresa" se a S&P voltasse a se debruçar sobre o assunto ainda este ano, visto que "a resposta do governo aos efeitos da crise tem sido melhor do que muita gente esperava" e continua sendo apropriada.

Como exemplo, o executivo citou a ampliação das reservas internacionais, exportações elevadas e a manutenção dos níveis de déficit fiscal nominal na faixa de 3 por cento do PIB.

Ao ressaltar os pontos positivos do país, no entanto, o executivo praticamente descartou a possibilidade de a agência elevar a nota do país diretamente. "Não é comum. Na maior parte dos casos, isso passa antes por mudança na perspectiva."

Além disso, segundo o diretor da S&P, as virtudes do Brasil são em parte contrabalanças por algumas restrições, como a pouca flexibilidade de que o país dispõe na parte fiscal, sobretudo por causa do perfil da dívida pública ainda concentrada em prazos curtos.

BEM NA FOTO

Segundo o representante da S&P, por atravessar a crise com menos prejuízos do que outros países, o Brasil ampliou seu peso relativo no plano internacional, especialmente entre os países emergentes.

Assim, o país teria uma das melhores combinações de crescimento e estabilidade econômica e política.

"Hoje, o Brasil é o mais equilibrado dentre os que fazem parte do Bric (grupo que inclui também China, Índia e Rússia)", afirmou.

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