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14/10/2009 - 17h31

ENTREVISTA-Desacordo no preço impediu venda do Pacífico à Bunge

Por Marcelo Teixeira

SÃO PAULO (Reuters) - Uma diferença em torno de 10 por cento no valor do negócio impediu que a Bunge Ltd. comprasse o Moinho Pacífico, de Santos (SP), maior unidade de moagem de trigo da América do Sul, disse nesta quarta-feira Lawrence Pih, proprietário da companhia.

Circularam comentários no mercado, no primeiro semestre, sobre uma eventual negociação entre as partes, mas até agora nenhum dos dois lados havia confirmado que houve negociação.

"É verdade. Houve uma negociação e chegamos a assinar um contrato de confidencialidade. E não fechou por uma questão de números", disse Pih à Reuters em seu escritório na sede administrativa do moinho, na região dos Jardins, em São Paulo.

"No final havia uma diferença de mais ou menos 10 por cento entre o que eles queriam pagar e o que eu queria receber", acrescentou o empresário.

A Bunge já domina o mercado de processamento de trigo no Brasil, com nove unidades de industrialização em sete Estados mais o Distrito Federal.

A eventual compra do Pacífico, que possui capacidade de moagem anual de aproximadamente 900 mil toneladas de trigo, lhe daria uma posição de dominância no maior mercado consumidor no Brasil, o do Estado de São Paulo.

Segundo Pih, a negociação se estendeu por aproximadamente dois meses e chegou à direção da companhia, em White Plains, Estado de Nova York. As conversas foram encerradas em julho, sem acordo.

O empresário não quis revelar quanto pediu pela companhia.

"A mídia falou em 200 milhões de dólares, o mercado falou em 250 milhões. Não repassei mandato de venda para ninguém e não tenho interesse em vender, mas como empresário sou obrigado a ouvir a proposta".

A Reuters comunicou à Bunge no Brasil sobre o teor da entrevista, buscando confirmação sobre a negociação, mas não havia uma posição até a publicação deste texto.

ARMAZENAGEM

O Moinho Pacífico, que tem uma localização privilegiada no porto de Santos, recebendo o trigo diretamente por esteiras a partir dos navios, está trabalhando em um projeto de aumento da capacidade de armazenamento das atuais 105 mil toneladas para 200 mil toneladas.

O investimento total é estimado em 80 milhões de reais, a maior parte de capital próprio, com uma pequena parcela possivelmente vinda do BNDES. Deve ser concluído em 12 meses.

"O objetivo é ter estabilidade no suprimento. Queremos eliminar a figura da entressafra argentina no nosso negócio", disse Pih, que adquire no vizinho de Mercosul grande parte do trigo que processa.

A idéia é estocar o produto no período de preços menores, de novembro a março, devido à pressão da colheita da safra na Argentina, e escapar o ponto de alta de preços, posteriormente.

Sobre os problemas na Argentina --pelo segundo ano seguido o país colherá uma safra quase 50 por cento menor que o normal, devido a problemas climáticos e pelo confronto do setor produtor com o governo-- Pih acredita que a ampla oferta global nos dois últimos anos impediu dificuldades de abastecimento para o Brasil.

"Não vejo nenhum risco de desabastecimento", afirmou, citando como origens prováveis de trigo o Uruguai, o Paraguai, o Canadá, os Estados Unidos e países europeus, como França, Alemanha e Polônia.

Segundo ele, o Uruguai poderá registrar um volume recorde de exportação para o Brasil, em torno de 1 milhão de toneladas em 2009/10. "Esse país desponta como um player importante".

Segundo Pih, além do maior investimento em cultivo, também é possível que argentinos estejam enviando trigo para o Uruguai de forma irregular, para exportar a partir de lá e escapar da cobrança do imposto de exportação argentino.

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