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02/11/2009 - 18h02

Atividade manufatureira global cresce e aponta recuperação

Por Chris Reese e Jonathan Cable

NOVA YORK/LONDRES (Reuters) - A atividade manufatureira nos Estados Unidos cresceu para o maior nível em três anos e meio em outubro, enquanto o setor fabril na zona do euro expandiu-se pela primeira vez em 17 meses, informaram pesquisas nesta segunda-feira.

Grã-Bretanha e China também verificaram expansão no segmento industrial, sugerindo que uma recuperação global está a caminho, mostraram os levantamentos.

Os dados acima do esperado vieram antes das reuniões de política monetária do Federal Reserve, Banco Central Europeu e Banco da Inglaterra que acontecem esta semana e quando os membros das instituições terão uma série de sinais conflitantes sobre a economia para analisar.

O Instituto de Gestão do Fornecimento disse que seu índice para a atividade fabril norte-americana subiu a 55,7 em outubro, o maior patamar desde abril de 2006, acima dos 52,6 de setembro e dos 53 esperados por analistas.

O ISM ainda informou que o índice de desemprego para o setor manufatureiro subiu 53,1, o maior nível desde abril de 2006, e acima dos 46,2 de um mês antes.

"Os números confirmam que há uma estabilização e uma melhora da economia", disse Thomas Nyheim, vice-presidente e gerente de portfólio no Christiana Bank & Trust Co., em Greenville, Delaware.

Nas 16 nações que compõem a zona do euro, o setor manufatureiro expandiu-se em outubro no ritmo mais forte desde abril de 2008, enquanto a Grã-Bretanha registrou o maior crescimento em dois anos.

O índice Markit's subiu para 50,7, ante 49,3 em setembro, mas há divergência entre as quatro maiores economias do bloco, com Alemanha e França registrando crescimento, enquanto Espanha e Itália ainda mostram fraqueza. O índice CIPS/Markit do setor fabril britânico atingiu 53,7, superando as previsões.

"Os dados de hoje sugerem que a recuperação na zona do euro está começando a pegar ritmo... (mas) nós continuamos cautelosos acerca da perspectiva econômica para os próximos meses", disse Colin Ellis, do Daiwa Securities.

Na Ásia, o setor manufatureiro chinês cresceu pelo sétimo mês consecutivo, impulsionado por uma alta no emprego e nas ordens de exportação, de acordo com uma pesquisa realizada pela empresa britânica Markit e divulgada pelo HSBC.

O índice apurado pelo levantamento passou para 55,4 em outubro, ante 55,0 em setembro.

A atividade fabril também expandiu-se pelo sétimo mês na Índia, enquanto a Coreia do Sul, quarta maior economia asiática, registrou o oitavo mês seguido de avanço, embora o ritmo de crescimento tenha diminuído nos dois países.

EXIT STRATEGIES

O Fed, o BCE e o BoE derrubaram as taxas de juros para níveis historicamente baixos e injetaram liquidez em suas economias, a fim de amenizar a recessão. Agora, economistas começaram a voltar as atenções para como os bancos centrais irão desmontar suas estratégias de estímulo às economias.

O banco central dos EUA tem reunião na terça-feira e quarta-feira, mas não se espera mudança na taxa de juro do atual patamar próximo de zero. BCE e BoE realizam encontros na quinta-feira.

Mas enquanto a zona do euro é vista crescendo novamente no terceiro trimestre, a economia britânica contraiu-se inesperadamente, apesar de uma safra de dados melhores do que o esperado. No caso os EUA, o PIB cresceu acima do esperado, mas outras evidências econômicas do país têm sido desiguais.

"Eu acho que a questão é que há problemas nas principais pesquisas de dados e como os formuladores de política monetária darão sentido a isso eu não sei", disse Ross Walker, do Royal Bank of Scotland.

(Reportagem adicional de Ryan Vlastelica e Alan Wheatley)

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