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04/11/2009 - 15h04

Bradesco frustra com resultado do 3o tri e ações caem

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - Expansão fraca do crédito, inadimplência ascendente e aumento dos sinistros no ramo de seguros juntaram-se para empurrar o lucro do Bradesco abaixo das expectativas no terceiro trimestre.

O segundo maior banco privado do país reportou pela manhã um lucro líquido de 1,81 bilhão de reais no período, queda anual de 5,2 por cento. A estimativa média de oito analistas consultados pela Reuters era de lucro recorrente de 1,869 bilhão de reais.

"Os resultados foram adequados com o momento que vivemos desde setembro de 2008", disse o presidente-executivo do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, em teleconferência com jornalistas.

Mais uma vez refletindo a postura cautelosa do banco frente aos efeitos da crise internacional, a carteira total de financiamentos do Bradesco em setembro somou 215,5 bilhões de reais, aumento anual de apenas 10,2 por cento, em linha com a previsão do grupo, de uma expansão de 8 a 12 por cento em 2009.

Ao mesmo tempo, a inadimplência, medida pelo total de operações vencidas em prazo superior a 90 dias, atingiu 5 por cento no terceiro trimestre, ante 3,4 por cento um ano antes. Foi a terceira alta trimestral seguida.

Tanto no crédito como em inadimplência, o resultado teve forte influência das operações com empresas de grande porte. Por segmentos, esse foi o que registrou a maior expansão nos financiamentos, 12,8 por cento. Por outro lado, o saldo de operações vencidas dessa coluna triplicou, passando de 0,3 para 0,9 por cento em doze meses.

Em outra frente, o setor de seguros, responsável por um terço do resultado do conglomerado, teve uma queda anualizada de 3,5 por cento no lucro trimestral, para 607 milhões de reais, impactado negativamente pelo aumento da sinistralidade, em função da maior utilização dos benefícios pós-emprego e pela gripe influenza A (H1N1).

Assim, o retorno anualizado sobre patrimônio líquido médio (ROE), importante índice de rentabilidade dos bancos, despencou de 25,4 para 21,8 por cento entre o terceiro trimestre de 2008 e o mesmo intervalo de 2009.

"O desempenho foi resultado de uma combinação de alta de custos, receita de intermediação financeira praticamente estável, receitas de tarifas menores e receitas menores com seguros", comentou o analista de bancos da Itaú Corretora, Alcir Freitas, em relatório.

Essa decepção refletia na ação do Bradesco na Bovespa, que caía 1,13 por cento, a 34,88 reais, às 14h19. No mesmo instante, o Ibovespa subia 2,16 por cento.

A última linha foi ainda influenciada por efeitos não recorrentes. O grupo teve receita bruta extra de 410 milhões de reais com a alienação do lote suplementar da VisaNet e impacto negativo de 387 milhões de reais com uma provisão para perdas com planos econômicos.

PREVISÕES MELHORES

A notícia positiva foi a previsão de declínio nos níveis de inadimplência e de expansão mais forte das operações de crédito para o ano que vem.

"O nível de inadimplência deve cair abaixo de 4 por cento em 2010", disse Trabuco.

Por isso, a despesa com provisão para perdas com calotes, que tinha sido de 4,4 bilhões de reais no segundo trimestre, cedeu para 2,9 bilhões de reais entre julho e setembro.

Simultaneamente, com base numa expectativa de evolução do PIB brasileiro em 2010, o banco previu para o próximo ano uma expansão de pelo menos 20 por cento da carteira de crédito.

O executivo aproveitou a deixa para anunciar que o banco alongou os prazos máximos de diversas linhas de financiamento para empresas e o varejo.

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