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04/11/2009 - 12h55

CSN vê demanda forte no 4o tri e 2010 com otimismo

SÃO PAULO (Reuters) - A Companhia Siderúrgica Nacional está vendo uma demanda "muito forte" por aço no quarto trimestre e tem expectativa otimista em relação a 2010, afirmou nesta quarta-feira o diretor comercial da empresa, Luis Fernando Martinez.

Após um primeiro semestre em que todo o setor siderúrgico foi afetado pelo colapso na demanda, por causa da crise financeira internacional, a CSN está em negociações avançadas com potenciais sócios para tocar projetos anteriores de expansão de capacidade siderúrgica, com a construção de duas usinas, que terão capacidade conjunta de 9 milhões de toneladas.

"A ideia (das duas usinas) é que tenhamos sócios para que boa parte da produção seja comprometida com o parceiro. Pretendemos manter o controle dos projetos, mas talvez nem tenhamos uma participação de 50 por cento dos projetos", afirmou Juarez Saliba, diretor de mineração da CSN, em teleconferência com analistas.

"Estamos em estágio avançado de negociação com potenciais sócios para essas duas usinas", disse o executivo. Segundo ele, uma usina, em Itaguaí, já tem licença prévia e, para a usina de Congonhas, a empresa tem expectativa de obter licença de instalação até o final de 2010. As novas usinas deverão consumir também minério de ferro produzido pela própria CSN.

Paralelamente, a empresa investirá no próximo ano cerca de 350 milhões de dólares para concluir uma usina de aços longos em Volta Redonda, que tem previsão de iniciar operação em 2011.

Segundo Martinez, após a crise no primeiro semestre, "a equação de oferta e demanda está bastante favorável. A demanda está muito forte para o quarto trimestre e, para o começo do ano que vem, nossa previsão é muito otimista".

"Os setores de linha branca e automotivo, que usualmente têm férias em dezembro, praticamente vão trabalhar cheios em novembro e dezembro", informou o executivo.

Às 12h26, as ações da CSN exibiam alta de 2,54 por cento, a 60,09 reais, enquanto o Ibovespa mostrava alta de 1,59 por cento.

A CSN divulgou na madrugada de quarta-feira lucro líquido de 1,15 bilhão de reais, impulsionado por ganho de 835 milhões de reais gerado por desdobramentos da venda de 40 por cento da unidade de mineração Namisa, no ano passado, a um consórcio asiático. No segundo trimestre, o lucro somou 335 milhões de reais.

O lucro também foi apoiado em redução de custos de produção, apesar de a empresa ter trabalhado durante o terceiro trimestre consumindo carvão contratado a preços mais caros antes da crise.

O vice-presidente de finanças, Paulo Penido, garantiu que a empresa já renegociou 60 por cento de suas necessidades de carvão. "Se tivéssemos feito isso no primeiro semestre, o custo teria sido muito maior por causa do câmbio. Evitamos comprar carvão no primeiro semestre e deixamos de comprar carvão a 2,40 (reais por dólar) e agora vamos comprar com um câmbio muito melhor."

Sobre preços de aço, a empresa mantém política de cortar no quarto trimestre, em 10 a 13 por cento, descontos concedidos anteriormente a distribuidores. Para a indústria, a empresa está negociando com cada cliente, disse Martinez. "As negociações ocorrem caso a caso, mas a ideia é implementar uma redução de descontos da ordem de 7,5 a 10 por cento."

MINERAÇÃO

Em outra frente, a companhia trabalha na consolidação de todas as atividades ligadas à mineração, incluindo ativo portuário, em uma nova empresa. A expectativa é que o plano fique pronto no início de 2010.

"Nos próximos dois a três meses estaremos trabalhando para entregar esse projeto. A partir de um determinado momento do início do ano que vem, vamos estar operando 100 por cento dos ativos de mineração dentro de uma nova empresa", disse Saliba.

Segundo ele, numa etapa subsequente, a CSN decidirá o que fazer com a nova empresa. "Todas as opções estão na mesa: possível IPO (oferta pública inicial de ações) ou possível venda de participação estratégica. Mas ainda não tomamos uma decisão."

Em entrevista em setembro, o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, afirmou que uma eventual oferta de ações do principal ativo de mineração do grupo, a mina Casa de Pedra, movimentará um valor "muito maior" que 2 bilhões de dólares.

(Por Alberto Alerigi Jr.)

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