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05/11/2009 - 16h12

BCE dá 1o passo em saída de estímulos, mas mantém juro

Por Marc Jones

FRANKFURT (Reuters) - O Banco Central Europeu (BCE) deu o primeiro passo para retirar as medidas extraordinárias de suporte à economia da zona do euro, ao sinalizar nesta quinta-feira que os empréstimos de um ano a bancos não serão repetidos em 2010.

O BCE manteve a taxa de juro em 1 por cento pelo sexto mês seguido e o presidente da instituição, Jean-Claude Trichet, prometeu anunciar em dezembro uma decisão sobre as demais políticas do banco central de injeção de recursos baratos no mercado.

Permitir que os empréstimos de um ano expirem após a operação agendada para 16 de dezembro já será um passo para que os bancos se desacostumem com os recursos que têm levado as taxas no mercado aberto a níveis mínimos recordes e ajudado a restaurar os fluxos de crédito.

Questionado se o BCE está pronto para encerrar as operações de um ano, Trichet comentou que os mercados financeiros não estão esperando que o banco anuncie mais operações de um ano em 2010.

"Não direi nada que dissipe essa atual avaliação do mercado", afirmou a jornalistas. "Mas a decisão será tomada pelo conselho (do BCE) no próximo encontro, daqui a um mês."

Trichet ressaltou que as medidas pró-liquidez tomadas pelo BCE --incluindo emprestar fundos ilimitados a bancos a taxas fixas-- serão encerradas gradualmente e no momento certo, mas não terão a mesma extensão que no passado.

Ele recusou-se a dizer, contudo, se o BCE vai elevar o custo dos financiamentos na próxima operação de 12 meses frente à taxa de 1 por cento --um movimento que poderia ser entendido como sinal de aumento do juro antes do final de 2010.

"O BCE tem dado pistas fortes de que pode retirar as ofertas extraordinárias em 2010", afirmou Richard McGuire, estrategista de renda fixa da RBC Capital Markets.

"O fim de tais ofertas... alimenta expectativas de que os bancos comecem a normalizar as taxas no próximo ano."

A postura do BCE contrasta com a do Federal Reserve, que não realizou nenhuma mudança em suas diretrizes de política na quarta-feira, apesar da crescente confiança numa recuperação; e com a do Banco da Inglaterra, que não mexeu no juro e afirmou que expandirá o programa de "quantitative easing" em 25 bilhões de libras.

Axel Weber, da Alemanha, havia alimentado especulações de que o BCE poderia revelar o início de sua estratégia de saída, ao dizer na semana passada que a política de financiamentos ilimitados nas principais operações de liquidez deveria ser mantida enquanto as operações de longo prazo poderiam ser extintas mais cedo.

Todos os 78 economistas pesquisados pela Reuters na semana passada esperavam que o BCE manteria o juro básico na mínima recorde pelo sexto mês consecutivo, com nenhuma expectativa de alta até o final de 2010.

MAIS OTIMISMO SOBRE CRESCIMENTO

Até a reunião do próximo mês, o BCE terá atualizado suas projeções econômicas e as primeiras estimativas para 2011, período crucial para as decisões de política monetária atuais.

Trichet disse que é necessário cautela sobre as perspectivas econômicas, mas afirmou que as taxas de crescimento entrarão em território positivo antes do final do ano.

"Os últimos dados continuam a sinalizar uma melhora na atividade econômica no segundo semestre deste ano", disse.

"O conselho (do BCE) espera que a economia da zona do euro se recupere em 2010 de forma gradativa, reconhecendo que os prognósticos continuam sujeitos a elevada incerteza."

A atividade manufatureira da zona do euro cresceu em outubro pela primeira vez em 17 meses, enquanto o setor de serviços teve a expansão mais rápida em quase dois anos. Tudo isso tem impulsionado expectativas de que o bloco composto por 16 nações voltou a crescer no terceiro trimestre.

A inflação permaneceu negativa em outubro, em -0,1 por cento, mas Trichet espera que retorne ao campo positivo nos próximos meses e que continue moderadamente positiva no horizonte relevante para a política monetária.

A Comissão Europeia elevou na terça-feira a estimativa de crescimento para o próximo ano, a 0,7 por cento, e vê aceleração para 1,5 por cento em 2011, após recuo de 4 por cento neste ano.

"Os comentários sobre a perspectiva de crescimento soaram levemente mais otimistas e confirmam nossa visão de que o banco central está gradualmente se aproximando do início de sua estratégia de saída da atual política muito expansionista", afirmaram estrategistas de câmbio da Action Economics.

Muitos políticos veem o fortalecimento do euro como uma ameaça à recuperação. A moeda avançou 16 por cento ante o dólar nos últimos oito meses e cerca de 3,5 por cento considerando o cálculo ponderado por operações, método preferido pelo BCE.

Trichet partilha da postura adotada pelo G7, dizendo que excessiva volatilidade tem implicações adversas. Ele também pediu que a China e outras nações asiáticas emergentes permitam que suas moedas se apreciem.

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