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05/11/2009 - 14h06

Gerdau tem lucro dentro do previsto e amplia investimentos

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO (Reuters) - A Gerdau elevou em 50 por cento sua previsão de investimentos para os próximos cinco anos, após divulgar lucro no terceiro trimestre dentro do esperado e que confirma evolução positiva do setor siderúrgico apresentada em balanços de rivais no Brasil.

A maior produtora de aços longos das Américas aumentou nesta quinta-feira de 6,3 bilhões para 9,5 bilhões de reais a estimativa de investimentos de 2010 a 2014, sendo que cerca de 80 por cento do montante será aplicado no Brasil, afirmou o presidente da companhia, André Gerdau Johannpeter.

"Para 2010, vemos uma evolução positiva quando comparada a 2009, com retomada mais lenta e gradual em mercados como Espanha e Estados Unidos", disse o executivo a jornalistas.

Depois de passar um primeiro semestre operando a 50 por cento de sua capacidade, a Gerdau exibe nível médio de utilização de 70 por cento, disse o executivo.

Atualmente, a Gerdau tem capacidade de produção global de cerca de 20 milhões de toneladas anuais de aço.

Entre os projetos foco do aumento dos investimentos está a retomada da instalação de um novo equipamento que marcará a entrada da empresa no mercado de chapas grossas. O produto, feito por rivais como a Usiminas, é usado em aplicações como construção de embarcações marítimas e equipamentos pesados.

A Gerdau vai investir 1,75 bilhão de reais no equipamento, um laminador que será instalado em unidade da empresa em Ouro Branco (MG) e terá capacidade para 1 milhão de toneladas anuais. O início da operação está marcado para 2012.

A empresa também retomou nesta quinta-feira atividade na mina de minério de ferro de Várzea do Lopes (MG) e que deve atingir uma produção anual de 1,5 milhão de toneladas, disse André Gerdau, acrescentando que a companhia poderá ainda elevar essa capacidade no futuro.

Com a outra mina de Miguel Burnier, também em Minas Gerais, a Gerdau deverá alcançar ritmo de produção anual de 2,7 milhões de toneladas de minério de ferro no final de 2010, dentro da estratégia de ampliar consumo de minério próprio.

O plano também envolve aumento de produção da empresa na Índia, terceiro maior produtor de aço do mundo.

No Peru, onde a empresa detém a Siderperu, a Gerdau vai reativar produção de alto-forno "por volta do segundo ou terceiro trimestre do ano que vem", disse o executivo.

LUCRO DENTRO DO ESPERADO

A Gerdau teve lucro líquido de 655 milhões de reais no terceiro trimestre, abaixo do ganho reportado de 1,42 bilhão de reais um ano antes. Ainda assim, trata-se de uma expressiva melhora ante o prejuízo de 329 milhões de reais de abril a junho deste ano.

Analistas consultados pela Reuters previam, em média, lucro de 677 milhões de reais de julho a setembro.

A receita líquida no período cresceu 6,4 por cento contra o trimestre imediatamente anterior, para 6,808 bilhões de reais.

O Ebitda --sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação-- foi de 1,375 bilhão de reais no trimestre encerrado em setembro, contra 595 milhões de reais entre abril e junho. No terceiro trimestre do ano passado, a geração de caixa tinha sido de 3,841 bilhões de reais.

A margem Ebitda trimestral foi de 20,2 por cento, mais que duas vezes maior que a registrada no segundo trimestre deste ano.

A companhia produziu 29,8 por cento mais aço bruto no terceiro trimestre em relação aos três meses anteriores, com produção total de 4,024 milhões de toneladas. Em laminados, houve alta de 19,1 por cento.

CÂMBIO VALORIZADO

A empresa ainda espera uma recuperação maior dos mercados internacionais, para ajudar a compensar parte de perdas provocadas pela apreciação do real contra o dólar.

"O câmbio em 1,7 (real por dólar) é ruim, não ajuda a vender (...) Mas nós não exportamos mais pela baixa demanda internacional", afirmou o vice-presidente financeiro da Gerdau, Osvaldo Schirmer.

Ele disse que a empresa está trabalhando em corte de custos para lidar com o real forte.

Em outro front, do endividamento, a Gerdau pretende reduzir gradualmente sua dívida. Segundo Schirmer, para o quarto trimestre haverá amortização de 600 milhões de reais de reais e para 2010 a programação é quitar mais 2 bilhões de reais.

O grupo terminou setembro com dívida líquida de 10,7 bilhões de reais, queda de 40 por cento na comparação com o final de 2008. Parte importante da diminuição decorre do efeito da valorização do real sobre a dívida em moeda estrangeira.

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