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05/11/2009 - 16h36

Para Fitch, concorrência entre construtoras deve crescer em 2010

Por Stella Fontes

SÃO PAULO (Reuters) - A concorrência entre as construtoras e incorporadoras brasileiras deverá crescer em 2010, sobretudo no segmento econômico, na avaliação da agência de classificação de risco Fitch Ratings.

Para a agência, a melhora do cenário macroeconômico, a maior oferta de crédito e os estímulos do governo deverão sustentar a recuperação do setor ao longo do próximo ano, e levar ao aumento da disputa em certos nichos de mercado.

De acordo com a analista sênior Fernanda Rezende, da Fitch, a expectativa é de retomada geral dos negócios de construção, porém os lançamentos de unidades com valor até 130 mil reais, que se enquadram no programa do governo "Minha Casa, Minha Vida", deverão saltar de forma mais expressiva.

Lançado no início deste ano, o programa do governo federal prevê 34 bilhões de reais em subsídios para a construção de 1 milhão de moradias para famílias com renda de até 10 salários mínimos. Conforme Fernanda, o programa foi também um dos responsáveis pela rápida resposta do setor de construção à crise financeira.

"O que vemos é que a maioria das construtoras preservou liquidez. O fluxo de caixa livre deve permanecer negativo em 2009, mas algumas já terão fluxo de caixa positivo em 2010", afirmou a analista, em teleconferência nesta quinta-feira.

No final de outubro, a Fitch revisou, para cima, as perspectivas dos ratings de corporativos de cinco empresas do setor de construção, entre elas MRV Engenharia e Cyrela, em razão da "rápida e consistente mudança nos fracos fundamentos do setor".

Os ratings de Gafisa e da Trisul, no entanto, seguem com perspectiva negativa. Já os ratings da Tenda, que deverá ser incorporada pela Gafisa, foram afirmados em observação positiva.

A maior exposição das empresas ao segmento econômico, contudo, não indica maior exposição ao risco, ressalta Fernanda.

"Mudar de segmento de atuação é motivo de preocupação para uma agência de rating, mas tudo depende de como a empresa vai conduzir a operação", acrescentou o diretor da agência, José Roberto Romero.

No caso específico do segmento econômico, alguns fatores podem acabar mitigando riscos, entre eles ciclo mais curto e a forte atuação da Caixa Econômica Federal assumindo o risco de crédito conforme a operação. "O risco do comprador vinha sendo questão nesse segmento, mas existem minimizadores", reiterou Romero.

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