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09/11/2009 - 17h57

ENTREVISTA-Suzano vê "condições óbvias" para aumento da celulose

Por Stella Fontes

SÃO PAULO (Reuters) - Estoques de celulose em níveis inferiores aos do pré-crise, apetite chinês pela matéria-prima associado ao gradual retorno das compras europeias e norte-americanas e a desvalorização do dólar constituem "condições óbvias" para um novo aumento de preços da matéria-prima, acredita o presidente da Suzano Papel e Celulose, Antonio Maciel Neto.

Em entrevista à Reuters nesta segunda-feira, o executivo evitou afirmar se a companhia trabalha com a expectativa de novo reajuste ainda em 2009, o que elevaria a sete o número de aumentos de preço anunciados no decorrer do ano. No entanto, Maciel destacou que as condições favoráveis estão postas.

"Há condições óbvias para aumentos de preços... Não será surpresa se houver um novo aumento de preços", afirmou.

Junto à divulgação dos resultados do terceiro trimestre, em 23 de outubro, a Suzano anunciou o sexto reajuste no ano para os preços da celulose de fibra curta, de no mínimo 20 dólares por tonelada, conforme a região. Os novos valores de referência estão em vigor desde 1o de novembro, mas ainda não compensaram a desvalorização do dólar frente ao real.

Segundo Maciel, nos 10 últimos anos, o preço médio da celulose colocada (preço CIF) na Europa foi de 580 dólares a tonelada. Considerando-se câmbio médio de 2,32 reais, a tonelada da matéria-prima foi negociada, em média, a 1.345,60 reais.

Hoje, a celulose de fibra curta é vendida a 700 dólares a tonelada no mercado europeu, valor que, convertido a uma taxa de 1,75 real, corresponde a 1.225 reais.

"Há uma importante diferença de preços e 80 por cento de nossos custos estão em reais", afirmou Maciel, acrescentando que a acomodação da moeda norte-americana em novos patamares poderá repercutir em uma realidade diferente de preços para a celulose. "Os preços em dólares perderam a referência", disse.

Além do comportamento da moeda norte-americana, a expectativa de demanda crescente por celulose de eucalipto, especialidade das produtoras brasileiras, também oferece subsídios a novos reajustes.

"Há espaço para a celulose de eucalipto crescer no próprio mercado de fibra curta, via substituição, e no de fibra longa", comentou. "E há crescimento por conta da maior produção de papel, este sim concentrado na Ásia", acrescentou.

Diante desse cenário, a Suzano se prepara para colocar em operação duas novas fábricas de celulose, uma no Estado do Maranhão e outra no Piauí, com capacidade de produção de 1,3 milhão de toneladas ao ano cada. As unidades devem começar a produzir em 2013 e 2014, respectivamente.

A implantação de uma terceira fábrica --ou de uma segunda linha de produção em uma das unidades que ainda serão construídas-- será tema de discussão no final do ano. "Por enquanto não podemos afirmar nada", disse Maciel. "Houve uma mudança forte de cenário", ponderou, referindo-se à crise global.

CRESCIMENTO ORGÂNICO EM CELULOSE

No negócio de celulose, disse o executivo, a estratégia da companhia é exclusivamente a de crescimento orgânico, sem planos de eventuais aquisições. "Houve uma reorganização do setor, mas os 'players' são os mesmos. Não pensamos em associação ou compra", afirmou.

Recentemente, as produtoras brasileiras, que lideram o mercado mundial de celulose de eucalipto, assistiram à união de Votorantim Celulose e Papel e Aracruz para formar a Fibria, e avanço da chilena CMPC no mercado brasileiro, por meio da compra da fábrica de Guaíba (RS), que pertencia à Aracruz.

Como parte do acordo de compra e venda, a CMPC teria se comprometido a não levar adiante uma expansão planejada para Guaíba antes de 2015, sob pena de elevar o valor do negócio.

"Os projetos de Maranhão e do Piauí serão os melhores que podem ser feitos. Foram anos de pesquisas e testes com 2 mil clones (de mudas) para chegar aos cinco (clones) que serão usados", destacou.

APOSTA EM PAPEL

Já no mercado de papel, em que a Suzano detém a liderança dos segmentos em que atua, a companhia não descarta eventuais compras. "Não podemos dizer que não vamos comprar", disse Maciel, evitando ser mais específico.

Uma das apostas de analistas que acompanham o setor de celulose e papel é que a companhia, pertencente à família Feffer, fique com a totalidade do Conpacel, consórcio de Suzano e VCP que administra uma unidade industrial no interior de São Paulo.

Oficialmente, a Suzano informa que se em algum momento for procurada pela parceira, vai estudar a proposta. "Mas não existe conversa neste momento", disse Maciel.

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