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12/11/2009 - 19h23

BRF lucra no 3o tri apesar de queda no mercado externo

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - Com ganhos financeiros, a Brasil Foods, uma das maiores companhias de alimentos processados do mundo, registrou lucro líquido de 211 milhões de reais no terceiro trimestre, ante prejuízo pro forma de 1,63 bilhão de reais em igual período do ano passado, informou a companhia nesta quinta-feira.

Esse é o primeiro anúncio de resultados da empresa que considera os números somados de Perdigão e Sadia, esta última incorporada pela primeira no início deste ano. O prejuízo do terceiro trimestre do ano passado inclui as perdas que a Sadia registrou com operações de derivativos cambiais.

Os resultados do trimestre poderiam ter sido melhores não fosse a fraqueza registrada no mercado externo, ainda sob o efeito da crise internacional.

"O lucro foi devido ao impacto positivo do câmbio sobre a exposição líquida da companhia em dólares. O que foi negativo (no passado), no caso da Sadia, dessa vez foi positivo," afirmou diretor financeiro da BRF, Leopoldo Saboya, a jornalistas.

Mas os preços e volumes mais baixos de carnes vendidas no exterior pressionaram os resultados da companhia. E força do mercado interno, que representou 58 por cento das vendas da empresa, evitou maiores perdas na parte operacional, explicou Saboya.

No Brasil, os volumes de processados vendidos cresceram 6,3 por cento, enquanto os preços ficaram estáveis, contra valores elevados no mesmo período de 2008, antes de a crise se agravar.

Já no mercado externo, a companhia registrou queda de 12,6 por cento em volumes, contra o terceiro trimestre do ano passado, e os preços tiveram recuo de 17 por cento.

Assim, o lucro bruto da BRF caiu 8 por cento na comparação com o mesmo período de 2008, para 1,1 bilhão de reais.

"Ainda vemos o ciclo de ajuste do mercado (externo) que está se mostrando mais duradouro do que previamente imaginado," disse o diretor.

Mesmo assim, ele vê uma melhora no mercado externo na comparação com o segundo trimestre. No terceiro período do ano, a empresa conseguiu repassar 11 por cento de alta para os preços em dólares, ante o trimestre anterior.

Em valores, as vendas no mercado externo caíram 12 por cento no trimestre, para 2,3 bilhões de reais. Já no interno a empresa viu aumento de 2 por cento, para 3,8 bilhões de reais.

O Ebitda (sigla em inglês para os ganhos antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) foi de 291 milhões de reais no trimestre encerrado em setembro, ante resultado pro forma de 336 milhões em igual período de 2008.

A receita líquida da companhia foi de 5,3 bilhões de reais no período, contra montante pro forma (incluindo Sadia) de 5,6 bilhões no terceiro trimestre de 2008 --o pro forma consolida informações integrais da Sadia como se a incorporação de ações tivesse ocorrido em primeiro de janeiro de 2008.

A propósito do processo de aprovação da compra da Sadia pela BRF (ex-Perdigão), o executivo reafirmou a expectativa da empresa de que o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprove o negócio durante o primeiro trimestre de 2010.

FIM DO ANO

"Agora estamos conseguindo aumentar os preços em alguns mercados, mas ainda sentimos dificuldades," disse o executivo, prevendo apenas uma melhora gradual em volumes nos próximos meses.

Um mercado especialmente afetado é a Europa, destacou Saboya.

No acumulado do ano até setembro, a empresa registra ao todo uma perda de 7,9 por cento nos volumes exportados, e uma redução de 22 por cento nos preços em dólares.

Sem querer estimar resultados para 2009, ele afirmou que a geração de caixa deve fechar o ano em um patamar inferior na comparação com 2008, por conta do fraco mercado externo. De outro lado, as vendas no país estão firmes e apontam para um final de ano melhor do que o de 2008.

O Ebitda no acumulado do ano foi de 852 milhões de reais, contra 1,3 bilhão de reais no mesmo período do ano passado (pro forma). "Há uma diferença importante a se considerar," disse Saboya, explicando que dificilmente a empresa conseguirá tirar essa diferença até o fim de 2009.

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