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16/11/2009 - 16h41

Apetite por risco desvaloriza dólar, que fecha a R$1,71

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda nesta segunda-feira, acompanhando um movimento global de baixa da moeda norte-americana em meio à valorização de ativos ligados a risco, como commodities e ações.

O dólar terminou a 1,711 real, em baixa de 0,64 por cento.

No exterior, às 16h30, o dólar exibia queda de 0,5 por cento em relação a uma cesta com as principais moedas, e o índice Reuters-Jefferies de commodities avançava 2,7 por cento.

O gatilho para a jornada de desvalorização do dólar foi o encerramento da reunião de cúpula do fórum de Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec), que terminou no final de semana sem uma referência clara a respeito do enfraquecimento da moeda norte-americana. Participam do fórum países como Estados Unidos, China e Japão.

Investidores no exterior interpretaram o silêncio como um sinal para continuar vendendo dólares, na expectativa de que será mantida por enquanto a atual conjuntura de déficit comercial dos Estados Unidos e de crédito barato em todo o mundo.

A queda só perdeu força no meio da tarde, brevemente, quando o chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke, disse que o banco central norte-americano está atento ao declínio do dólar, para evitar que prejudique a tarefa de controlar a inflação e estimular o emprego.

A baixa do dólar em todo o mundo empurrou a moeda norte-americana para perto da fronteira de 1,700 real, vista como um importante suporte pela maior parte do mercado. Em um mês, já houve ao menos três tentativas de terminar o dia abaixo dessa cotação.

"A pressão (de baixa) é muito grande. Os Estados Unidos estão muito longe de aumentar os juros... E a China não vai mudar a política cambial dela", disse José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator.

No entanto, agentes de mercado têm a expectativa de que o prolongamento desse movimento leve o governo brasileiro a adotar novas medidas para tentar frear a valorização do real.

Em outubro, começou a ser cobrado 2 por cento de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre a entrada de capital estrangeiro para ações e renda fixa.

O mercado também monitora a situação do diretor de Política Monetária do Banco Central, Mario Torós. Cresceram as expectativas no mercado de que Torós possa deixar o cargo após entrevista ao jornal Valor Econômico publicada no final da semana passada, em que detalhou os bastidores da crise global no país.

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