UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

16/11/2009 - 14h59

FMI defende iuan mais forte e papel maior do SDR

PEQUIM (Reuters) - Um iuan mais forte é parte do conjunto de políticas de que Pequim precisa para elevar o consumo doméstico e ajudar a diminuir os desequilíbrios globais, afirmou o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta segunda-feira

Os comentários de Dominique Strauss-Kahn somam-se ao coro de que a China "esmaga" sua moeda em relação ao dólar, a fim de ajudar os exportadores chineses a enfrentar a recessão global.

"Uma moeda mais forte é parte de um pacote de reformas necessárias", disse. "Permitir que o iuan e outras moedas asiáticas valorizem-se ajudaria a elevar o poder de compra das famílias, a fatia de renda do trabalho e daria os incentivos corretos para redirecionar investimentos."

As declarações de Strauss-Kahn coincidem com a visita à China do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que tem defendido a elevação do iuan, como parte das discussões sobre como colocar a economia mundial numa trajetória mais estável.

Strauss-Kahn admitiu que a China já estava adotando algumas medidas, incluindo uma cobertura maior dos serviços de saúde, para impulsionar o consumo das famílias, reduzindo a necessidade de economizar recursos para dias mais difíceis.

"Mas mais pode ser feito para assegurar uma mudança duradoura e estrutural em direção ao consumo, expandindo o escopo das políticas sociais, evoluindo na reforma do sistema financeiro e realizando reformas de governança corporativa", afirmou.

DÓLAR SEGUIRÁ PRINCIPAL MOEDA

De modo geral, Strauss-Kahn analisou que a economia global parece ter começado a se recuperar e que o maior risco é uma retirada prematura do maciço estímulo fiscal e monetário de que os governos lançaram mão para restaurar a demanda.

"Ao mesmo tempo em que é prudente planejar as chamadas 'estratégias de saída', os formuladores de política devem manter medidas de suporte até que a recuperação esteja firmemente estabelecida, e particularmente até que as condições estejam no sentido de declínio do desemprego."

Apesar dos prblemas, o diretor-gerente do FMI avaliou que o sistema monetário internacional atual ainda funciona razoavelmente bem.

"Se você está falando em cerca de 10 anos, eu acho que não mudará muito. O dólar seguirá como a moeda internacional mais importante, apenas por uma razão: a economia dos Estados Unidos continuará sendo a maior economia do mundo."

Strauss-Kahn também disse ser favorável a um papel maior do Direito Especial de Saque (SDR, na sigla em inglês). "Isso não vai ocorrer amanhã de manhã, mas pode acontecer em 10 anos, em 15 anos", afirmou.

"A ideia de criar uma cesta de moedas que poderia ser a divisa usada no comércio global, ao invés de usar a moeda de apenas um país, entenda os EUA, dando a esse país uma vantagem especial ante os demais, é uma boa ideia", disse a estudantes em Pequim.

(Reportagem de Jason Subler e Simon Rabinovitch)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host