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19/11/2009 - 17h29

Sob pressão, Geithner defende pacote de ajuda à AIG

Por David Lawder e Emily Kaiser

WASHINGTON (Reuters) - O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, defendeu nesta quinta-feira o custoso pacote de ajuda ao American International Group (AIG) e pediu uma rápida reforma regulatória para proteger a economia de uma falência de grandes companhias financeiras.

Antes de seu testemunho no Comitê Econômico do Congresso, Geithner enfrentou ferozes críticas sobre seu papel no resgate da seguradora AIG em 2008, quando era presidente do Federal Reserve de Nova York.

O parlamentar republicano Kevin Brady pediu a renúncia de Geithner.

O secretário do Tesouro disse que a falência da AIG representava um risco significante para a economia, diante do colapso do banco de investimento Lehamn Brothers, que espalhou um pânico que virtualmente derrubou o comércio global e ameçou minar todo o sistema financeiro.

"Os Estados Unidos da América --maior sistema financeiro do mundo, cuja moeda (o dólar) é o ativo de reserva de todo o sistema financeiro-- entraram nesta crise sem nenhuma das ferramentas básicas que os países precisam para conter pânicos financeiros", afirmou.

"No que se refere à AIG, nós basicamente fechamos a torneira com fita e barbante."

O pacote de ajuda à AIG tornou-se um símbolo da revolta dos eleitores com as falhas de Wall Street e do financiamento de 700 bilhões de dólares, complicando os esforços da Casa Branca para aprovar um projeto de reforma.

O Congresso tem discutido qual a melhor maneira de reformar regras financeiras com o objetivo de oferecer ao governo ferramentas para evitar outra crise, enquanto trata do equilíbrio certo entre exigências de empréstimos de risco e a obstrução de fluxos de crédito.

O Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Deputados norte-americana tem trabalhado sobre esse pacote há semanas, e o Comitê Bancário do Senado deu na quinta-feira o primeiro passo na mesma direção.

O senador Richard Shelby, o mais importante republicano do painel, disse que não apoiará um pacote encaminhado pelo senador democrata Christopher Dodd, que preside o comitê, e pediu uma "reformulação completa".

SEM BOAS ESCOLHAS PARA A AIG

Geithner disse que, uma vez que os Estados Unidos não possuem nenhuma autoridade para mensurar e desmantelar complexas companhias financeiras que estão em perigo de colapso, não teve escolha a não ser agir dessa forma quando a falência da AIG parecia iminente em setembro de 2008.

O alto nível de desemprego provocou queixas de que o governo foi rápido ao resgatar Wall Street, mas ignorou a condição daqueles que perderam seus empregos numa recessão causada em parte por empréstimos arriscados.

"Os conservadores concordam que, do ponto pessoal, você falhou. O número de liberais com essa opinião também está crescendo", disse Brady, durante uma tensa fala a Geithner. "Pelos nossos trabalhos, você deixaria seu posto?"

Em resposta, o secretário do Tesouro defendeu que as ações que ele e outras autoridades do governo do presidente Barack Obama tomaram têm o objetivo de restaurar a calma do sistema financeiro e o crescimento econômico.

Geithner utilizou seu testemunho para deixar claro que a ação referente às reformas é necessária antes que o ímpeto por mudanças se esvaia.

Ele disse que nenhuma companhia financeira deve ser capaz de escapar da regulação e que as maiores instituições precisam da supervisão de um regulador único e forte.

"A regulação das maiores e mais interconectadas companhias requer tremenda capacidade institucional, linhas claras de autoridade e responsabilidade singulares. Esse não é o lugar para a regulação do conselho ou do comitê", acrescentou.

Como parte de seu plano de reformas de limpeza, o governo Obama propôs que o Federal Reserve tenha poderes para supervisionar os maiores bancos, e os cometários de Geithner sinalizaram oposição a propostas sobre delegar essa prerrogativa a um conselho dos reguladores já existente.

"Os riscos são simplesmente altos demais para permitir que autoridades e responsabilidades difusas enfraqueçam os compromissos", considerou.

Ele afirmou ainda esperar que o crescimento da economia norte-americana continue no quarto trimestre e em 2010, mas ponderou que a estabilidade e a força a longo prazo não podem ser asseguradas sem uma ampla regulação do sistema financeiro.

"Infelizmente, o regime de regulação que falhou tão terrivelmente e que levou à crise financeira é precisamente o regime que temos hoje", disse.

"Para garantir a vitalidade, a força e a estabilidade da nossa economia... temos que trazer a regulação do sistema financeiro para o século 21."

(Colaborou Rachelle Younglai)

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