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23/11/2009 - 14h56

Amil vê perda de clientes da Medial, mas melhora de margens

Por Cesar Bianconi

SÃO PAULO, 23 de novembro (Reuters) - A Amil antevê perda de 5% a 10% da carteira de clientes da Medial, devido ao reajuste de preços que promoverá em algumas carteiras da empresa de planos de saúde que está comprando por R$ 1,2 bilhão.

Embora isso represente uma queda na receita do grupo, acabará por ter influência positiva sobre as margens de lucro, já que a iniciativa será concentrada em carteiras de clientes deficitárias da Medial, afirmou nesta segunda-feira o presidente da Amil, Edson de Godoy Bueno.

Na última quinta-feira, a Amil anunciou a compra de 51,9% da Medial por R$ 612,5 milhões.  A empresa fará uma oferta pública de aquisição (OPA) das ações da Medial em circulação no mercado.

"Sabemos que atualmente os indicadores financeiros e operacionais da Medial estão aquém dos da Amil. Uma das nossas metas é convergir as margens da Medial para aquilo que conseguimos em nosso negócio", disse o executivo a analistas.

A Amil teve margem Ebitda -sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação- de 6,9% no terceiro trimestre. Já a Medial registrou margem Ebitda negativa de quase 9% no mesmo período.

A Amil trabalhará para conseguir já no quarto trimestre deste ano levar a Medial a uma margem zero.

Após sinergias, o Ebitda anual da Medial deverá atingir R$ 165 milhões  em 2011, pelos cálculos da Amil, com margem entre 7% e 8%. Em 2012, a margem Ebitda poderá chegar a 10%.

A melhora do resultado da Medial virá também do aumento do poder de compra da empresa resultante da união com a Amil.

Segundo Godoy Bueno, a Amil espera reduzir em pelo menos 10% as despesas com compras em hospitais. Além disso, ele mencionou economias expressivas que virão nos canais de distribuição e marketing.

Mercado Fragmentado

Com a Medial, a Amil praticamente dobra sua presença no Estado de São Paulo, saltando de market share de 7,9% para 15,1%.

"Mesmo com essa união, nosso mercado continua bastante fragmentado... Continuamos atentos a todas as oportunidades que possam representar valor", afirmou o presidente da Amil. "Queremos estar confortáveis e preparados para novas aquisições."

O pagamento aos controladores da Medial será feito com recursos em caixa. Para a compra das ações dos minoritários, a Amil fará um empréstimo-ponte de cerca de R$ 700 milhões.

De acordo com o diretor de Relações com Investidores da Amil, Erwin Kleuser, a dívida bancária de curto prazo tem por objetivo dar tempo à empresa para analisar as opções do mercado, como a emissão de debêntures ou até de novas ações pela companhia. "Vai depender das condições e do custo da operação", disse.

A Amil encaminhará nesta segunda-feira pedido de autorização prévia da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para a compra da Medial. A expectativa de executivos da empresa é que o aval seja dado na semana que vem.

A partir daí, a Amil iniciará os procedimentos para a realização da OPA pelas ações da Medial nas mãos dos minoritários.

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