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24/11/2009 - 12h55

Senado aprova Aldo Mendes para diretoria do BC

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - O economista Aldo Luiz Mendes foi aprovado nesta terça-feira pelo Senado para assumir a diretoria de Política Monetária do Banco Central e poderá participar da próxima reunião para deliberar sobre o juro básico do país, agendada para os dias 8 e 9 de dezembro.

Em sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Mendes defendeu a independência da instituição e afirmou que o "valor ideal" da taxa de câmbio deve ser definido pelo mercado.

Seu nome foi aprovado pela comissão e, na mesma tarde, referendado pelo plenário da Casa com 41 votos a favor e 11 contrários.

"O valor ideal do câmbio é determinado pelo próprio mercado", disse Mendes, após defender o regime de câmbio flutuante quando questionado sobre o assunto por senadores. Ele acrescentou que as atuações do BC no mercado visam manter a liquidez "dentro de patamares adequados".

Mais cedo, em seu discurso de apresentação, Mendes afirmou que o perfeito funcionamento da política de metas de inflação exige que o BC tenha autonomia.

"A experiência nos últimos anos comprova que o BC deve dispor de autonomia operacional de facto para calibrar com eficiência os instrumentos de política monetária, baseado, evidentemente, em critérios estritamente técnicos", argumentou.

Durante o debate, ele afirmou ser favorável à independência formal do BC, mas afirmou que o tema depende do Congresso e do Executivo.

Mendes, de 51 anos, foi indicado na semana passada para substituir o diretor Mario Torós.

Ele estava então na presidência da Companhia de Seguros Aliança do Brasil. Entre 2001 e junho deste ano, esteve no Banco do Brasil, onde ocupou a diretoria de Finanças, depois foi diretor de mercado de capitais e vice-presidente de Finanças, Mercado de Capitais e Relações com Investidores.

DEPOIMENTO DE TORÓS

O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) chegou a pedir vistas durante a sessão da CAE, o que poderia interromper a sabatina. Depois de algum debate, o pedido foi retirado, mas a CAE formalizou um convite para ouvir Mario Torós.

Especulações de que Torós teria manifestado interesse em deixar o BC circulavam entre investidores há algum tempo, mas o processo de sua saída foi acelerado depois de uma entrevista dele ao jornal Valor Econômico em que detalhou os bastidores da crise global no Brasil.

Mendes também foi questionado nesta terça-feira sobre uma outra notícia do jornal Valor, segundo a qual o Banco do Brasil teria emprestado 4,7 bilhões de reais aos bancos Votorantim e Safra durante a crise global, por meio de depósitos financeiros com a garantia de carteiras de créditos.

O arranjo teria, na prática, permitido ao BB assumir a função de emprestador de última instância que deveria caber ao BC, segundo a reportagem.

"O Brasil conseguiu passar por problemas de liquidez de forma exemplar sem que o BC precisasse ser acionado", afirmou Mendes aos senadores.

"Não acredito que o Banco do Brasil tenha assumido papel do Banco Central na crise", disse, acrescentando que "a primeira linha de combate em crises de liquidez é o próprio mercado".

Questionado, ainda, por Heráclito Fortes, sobre um empréstimo que o fundo de pensão Previ teria concedido à BANCOOP (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo) quando Mendes estava na diretoria do fundo, Mendes afirmou que não teria sido consultado sobre a operação.

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