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25/11/2009 - 16h37

Dólar cai com otimismo global após indicadores nos EUA

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em baixa nesta quarta-feira, refletindo o otimismo internacional com os Estados Unidos após uma série de dados econômicos.

Mas a incerteza do mercado doméstico a respeito de possíveis medidas cambiais a serem tomadas pelo governo, mais uma vez, ajudou a frear a desvalorização da moeda norte-americana.

O dólar caiu 0,52 por cento, para 1,726 real. Às 16h36, o índice do dólar em relação às principais moedas recuava 0,77 por cento --mais cedo, atingiu o menor nível em 15 meses. No mesmo horário, o índice Reuters-Jefferies de commodities subia 1,94 por cento.

O clima favorável para investimentos de maior risco foi criado por indicadores dos EUA. Os pedidos de auxílio-desemprego caíram abaixo de 500 mil, o consumo e a renda pessoal aumentaram, e a venda de novas moradias cresceu para o maior nível em um ano.

A ata do Federal Reserve divulgada no fim da tarde de terça-feira também ajudou a derrubar o dólar nesta sessão, ao sinalizar que os juros continuarão perto de zero por bastante tempo e ao avaliar que a queda global do dólar tem sido "ordenada".

A baixa do dólar, porém, não teve o mesmo vigor no Brasil. Embora o euro e o iene tenham sido negociados nas máximas em vários meses, no Brasil o dólar se manteve relativamente distante do patamar de 1,70 real, ameaçado há algumas semanas.

De acordo com profissionais de mercado, a hesitação do dólar é explicada pela incerteza a respeito de novas medidas do governo com o intuito de brecar a valorização do real no longo prazo --no ano, o dólar já caiu cerca de 25 por cento.

Ainda que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, tenha dito que nenhuma medida para o câmbio está preparada para divulgação em breve, operadores temem que o Ministério da Fazenda volte à cena caso o dólar se aproxime de 1,70 real, como fez em outubro, quando impôs a cobrança de uma taxa sobre a entrada de capital externo para ações e renda fixa.

Sem segurança para apostar na baixa do dólar, existe pouca disposição de agentes de mercado para abrir posições vendidas em dólares. "Desde o dia 10, mais ou menos, o dólar tem oscilado nesse nível. Ele está criando uma resistência", disse o operador de uma importante corretora nacional, que preferiu não ser identificado.

Segundo dados da BM&FBovespa, contando mercado futuro e cupom cambial, as posições têm se mantido praticamente nos mesmos níveis desde o começo do mês, com principalmente estrangeiros na ponta comprada --aposta na alta do dólar-- e bancos com posições vendidas.

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