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20/12/2009 - 16h30

Morte de clérigo dissidente no Irã deve provocar novas marchas

Por Parisa Hafezi e Fredrik Dahl

TEERÃ (Reuters) - O principal clérigo dissidente do Irã, o Grande Aiatolá Hossein Ali Montazeri, crítico contundente da liderança linha-dura e que denunciou como fraudulenta a disputada eleição de julho, morreu aos 87 anos. Seu funeral deverá trazer de volta as grandes marchas dos opositores.

O site moderado Parlemannews disse que uma multidão de apoiadores de Montazeri, um arquiteto da Revolução Islâmica de 1979 que depôs o xá apoiado pelos EUA, ruma à cidade xiita sagrada de Qom para assistir ao seu enterro na segunda-feira.

O site reformista Tagheer disse que iranianos pró-oposição enlutados se juntavam nas praças de Teerã e que a polícia de choque estava em alguns pontos de Qom, onde Montazeri viveu e morreu.

Sua morte por ataque cardíaco, relatada pela mídia estatal neste domingo, coincide com um novo aumento das tensões na república islâmica, seis meses após o pleito presidencial ter mergulhado o grande país exportador de petróleo em uma crise política.

"Meu avô morreu dormindo a noite passada. Muitas pessoas e amigos estão vindo expressar seus pêsames mas não há medidas especiais de segurança em torno da casa," disse Naser Montazeri por telefone de Qom, cerca de 125 km ao sul da capital Teerã.

O funeral de segunda-feira, que inicia às 02h30 (horário de Brasília) no maior santuário da cidade, pode se tornar um ponto para comícios da oposição reformista e isso pode preocupar as autoridades, disse o analista iraniano Baqer Moin, sediado em Londres.

"O nível de apoio demonstrado a ele irá fortalecer a oposição que chora sua perda," disse Moin.

Centenas de apoiadores de Montazeri tomaram as ruas em sua cidade-natal de Najafabad, mostram vídeos publicados na Internet. Lojas na cidade tradicionalmente moderada estavam fechadas e exibiam faixas pretas com fotos do falecido clérigo.

O site Tagheer disse que apoiadores também se reuniam em Teerã.

Não foi possível confirmar os relatos, já que a mídia estrangeira foi proibida de relatar protestos e de viajar para o serviço funerário em Qom.

Nos anos 1980 Montazeri foi escolhido para suceder o líder revolucionário Aiatolá Ruhollah Khomeini como maior autoridade do país, mas se desentendeu com este por causa da execução em massa de prisioneiros.

Um dos clérigos mais idosos do Irã, ele passou cinco anos em prisão domiciliar até 2002, mas continuou a ser uma liderança da oposição até sua morte, embora raramente saísse de casa.

"Ele será lembrado como um homem que sacrificou sua posição política por seus princípios," disse Moin.

O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã que sucedeu Khomeini após a morte do último em 1989, expressou seus pêsames, disse a agência estatal Isna.

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