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14/01/2010 - 12h52

BCE mantém juro em 1% e Trichet vê recuperação desigual

Por Marc Jones

FRANKFURT (Reuters) - O Banco Central Europeu (BCE) manteve a sua taxa básica de juros estável na mínima recorde de 1 por cento nesta quinta-feira, e o seu presidente disse que a recuperação econômica na zona do euro será moderada e desigual.

Todos os 80 economistas consultados pela Reuters já projetavam a manutenção da taxa básica de juro, em meio a um cenário de inflação bem inferior à meta do BCE --que é de algo próximo mas abaixo de 2 por cento-- e de incertezas sobre a recuperação econômica.

Os mercados mostraram poucas mudanças após a decisão.

"O Conselho Executivo espera que a economia da zona do euro cresça em um ritmo moderado em 2010, reconhecendo que o processo de recuperação deve ser desigual e que a perspectiva permanece sujeita à incertezas", disse o presidente do BCE Jean-Claude Trichet a jornalistas para explicar a decisão do banco central.

Ele espera uma pequena pressão inflacionária no médio prazo.

"A última informação também confirmou que, até o final de 2009, a atividade econômica da zona do euro continuou a se expandir", disse Trichet. "Porém, alguns dos fatores sustentando o crescimento no PIB real são de natureza temporária."

Dados recentes mostraram que a confiança na economia melhorou mais que o esperado em dezembro. Mas o desemprego subiu acima de 10 por cento, as vendas no varejo e a base monetária encolheram pela primeira vez.

EM RITMO DE ESPERA

O economista do Goldman Sachs Dirk Schumacher disse que, apesar dos dados fracos, ainda "não há razão para mudar de retórica ou de tom no BCE".

Trichet deu poucas informações novas sobre o plano do BCE para retirar o setor bancário das suas medidas de auxílio.

No mês passado, o BCE começou a retirar as suas medidas de suporte à economia implementadas durante a crise -- principalmente os empréstimos ilimitados e baratos a bancos, que pressionaram os preços de empréstimo entre bancos para mínimas recordes.

"O Conselho Executivo também vai continuar a implementar a retirada gradual das medidas extraordinárias de liquidez que não são tão necessárias quanto no passado", disse ele.

A situação fiscal da Grécia é um dos muitos obstáculos no horizonte da retomada econômica, com dados mistos também ressaltando a necessidade dos formuladores de políticas de serem cuidadosos ao sair do aperto financeiro.

A Grécia anunciou as suas metas principais de um plano de três anos de duração para recuperar as suas finanças públicas nesta quinta-feira, após autoridades do BCE e da Comissão Europeia fazerem o mesmo na semana passada e antes da divulgação de uma revisão da UE do programa de estabilização grego.

Trichet disse que as perguntas sobre a possibilidade da Grécia sair da zona do euro eram "absurdas".

No que diz respeito ao crescimento na área de 16 países como um todo, Trichet disse que os efeitos dos estímulos governamentais extraordinários após a crise financeira podem torná-lo maior que o esperado.

"A confiança também pode melhorar ainda mais, e a economia global e o comércio exterior podem se recuperar de maneira mais forte que o esperado", disse.

Entre os riscos ao crescimento, Trichet citou novas altas no preço do petróleo e de outras commodities, possíveis pressões protecionistas e a chance de volatilidade dos mercados relacionada à correção dos desequilíbrios globais.

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