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18/01/2010 - 16h59

GE quer levar térmica a etanol a outros países

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Os testes da primeira usina termelétrica a etanol do mundo, feitos pela Petrobras e pela General Eletric, mostraram que a mudança de combustível não reduziu a potência das turbinas da unidade e as emissões de dióxido de carbono ficaram abaixo das registradas pelo gás natural, além de ter havido um uso bem menor de água.

Funcionando há mais de 170 horas sem problemas e com meta de atingir mil horas de testes em operação comercial, a térmica da Petrobras em Juiz de Fora (MG), antes a gás natural, e com capacidade instalada de 87 megawatts, poderá servir de modelo para clientes das duas empresas pelo mundo.

Na terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugura a conversão da termelétrica em Juiz de Fora.

"A intenção é fazer o teste de mil horas e ter isso muito bem documentado, e a partir daí fazer esse projeto e replicar isso em outros lugares do mundo", explicou à Reuters o diretor de produtos da GE para a América Latina, John Ingham.

"Em termos de resultado, os primeiros que a gente viu são bastante positivos. A máquina não perde potência e as emissões ficaram dentro do valor que a gente esperava, mas queremos operar bastante tempo para ver se não tem nenhum tipo de deterioração da máquina, o que a gente não espera", explicou o executivo.

A térmica da Petrobras usa turbinas da GE derivadas das utilizadas no Boeing 747, que consumiam combustíveis líquidos antes de serem convertidas para gás natural. "Na verdade a turbina está voltando à sua origem de combustível líquido", disse Ingham.

Os candidatos potenciais para o novo produto, que poderá estimular também o crescimento da produção de etanol no país, são lugares com difícil acesso ao gás natural ou que tenham muita produção, como o Brasil. Em Macaé, no Estado do Rio de Janeiro, uma térmica da Petrobras de 900 megawatts possui 20 turbinas da GE que poderiam ser convertidas, disse o diretor.

CUSTO ALTO

Ingham observou no entanto que o custo do álcool ainda é mais alto do que o gás natural e o consumo da unidade é elevado. São 18 mil litros por uma hora de funcionamento.

"Uma máquina dessa consome muito etanol e tem que ter um local que faça sentido. Alguns lugares que não têm acesso ao gás como Japão, algumas ilhas, alguns lugares que dependem de importação, a própria região amazônica, que utiliza térmicas a diesel", elencou.

"O etanol ainda é caro em relação ao gás natural, por isso a gente não vê como sendo o novo principal biocombustível, mas uma alternativa", complementou.

Segundo Ingham, a GE tem 770 turbinas iguais às utilizadas na térmica de Juiz de Fora espalhadas pelo mundo, que poderiam ser convertidas ao etanol, muitas delas no Japão.

A Petrobras iniciou há alguns anos estudos para o uso do etanol em térmicas, visando o mercado japonês, e vem buscando oportunidades no Brasil para aumentar a produção de etanol. A primeira iniciativa de produzir o biocombustível veio com a compra de 40 por cento do capital da Total Agroindústria Canavieira, em dezembro do ano passado, depois de uma tentativa frustrada em Goiás.

O executivo confia também na necessidade que muitos países terão de reduzir a emissão de carbono e na possibilidade que se abre para mais um combustível alternativo, aumentando a segurança da geração elétrica. "É mais viável quando se compara com combustíveis fósseis, por exemplo", argumentou.

Apesar de ser interligada ao Sistema Elétrico Nacional, a primeira térmica a etanol do mundo a entrar em operação comercial teria capacidade para abastecer quase toda a cidade de Juiz de Fora, que assim se tornaria a primeira a ter energia "flex fuel" do mundo, observou o executivo.

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