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18/01/2010 - 20h59

Petrobras quer vender 2 mi barris à Ásia a cada 2 meses

Por Alejandro Barbajosa e Judy Hua

CINGAPURA (Reuters) - A Petrobras planeja vender até 2 milhões de barris de petróleo para a Ásia a cada dois meses, usando os tanques de armazenamento que possui na ilha japonesa de Okinawa como um ponto de distribuição, afirmaram fontes nesta segunda-feira.

A Petrobras espera enviar um petroleiro de grande porte VLCC (Very Large Crude Carrier) carregado com petróleo de Roncador para Okinawa a partir de março, com subsequentes envios do mesmo tamanho a cada dois meses, em uma nova estratégia comercial, segundo as fontes.

Tal frequência pode elevar em mais de 33 mil barris por dia as vendas da empresa brasileira aos clientes asiáticos. O primeiro carregamento pode chegar a Okinawa no fim de março ou início de abril.

O petróleo brasileiro é um bom produto para as necessidades asiáticas, porque a China e a Coreia do Sul desenvolveram nos últimos anos melhorias que permitem processar petróleo mais pesado.

A estratégia de exportação vai ajudar a Petrobras a dividir os embarques transoceânicos em navios menores, atendendo a refinarias que não tem instalações portuárias para receber VLCCs no Japão, Coreia, China e Malásia.

Em fevereiro do ano passado, o Brasil assinou um acordo com a China para fornecer 100 mil a 160 mil barris de petróleo por dia e espera obter até 10 bilhões de dólares em empréstimos para ajudar a desenvolver suas reservas petrolíferas.

"Não é uma nova estratégia, isso já está sendo feito", disse a jornalistas o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto da Costa. "Temos vendido petróleo para a China em uma base bastante regular, independentemente do acordo que foi assinado. Temos enviado carregamentos para a China há algum tempo."

Segundo as fontes, as exportações para a China normalmente ficam em torno de 150 mil bpd.

A Petrobras pode ainda eventualmente avaliar o envio a Okinawa do petróleo que extrai no oeste da África, ainda que essa não seja a estratégia inicial para 2010, disseram as fontes.

O grau API do petróleo de Roncador que será enviado a Okinawa varia de 24 a 28 graus, o que é considerado de nível médio.

Com a atual infraestrutura, a Petrobras não consegue processar o petróleo de Roncador em sua refinaria de Okinawa, que comprou de uma unidade japonesa da ExxonMobil há quase dois anos.

A empresa assumiu a refinaria de 100 mil bpd e cinco tanques de 100 mil metros cúbicos em Okinawa em 2008. Os planos para ampliar a planta foram arquivados em abril do ano passado, quando as refinarias reduziram o investimento por causa da demanda. Desde então a Petrobras avalia o aumento de suas operações comerciais a partir de lá.

(Reportagem adicional de Brian Ellsworth no Rio de Janeiro)

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