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19/01/2010 - 16h49

Dólar desacelera, mas ainda fecha em alta por exterior

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar voltou a fechar em alta frente ao real nesta terça-feira, seguindo o comportamento do mercado de câmbio no restante do mundo. O ambiente de menor aversão a risco durante a tarde, porém, ajudou a reduzir a intensidade do movimento.

A moeda norte-americana fechou a 1,774 real, com avanço de 0,34 por cento. É o maior patamar de fechamento desde 22 de dezembro.

Na máxima, registrada durante a manhã, o dólar chegou a subir 0,74 por cento, a 1,781 real.

Em janeiro, com nove altas em 12 sessões, a valorização acumulada pelo dólar é de 1,78 por cento.

Enquanto o mercado local encerrava as operações, o dólar subia 0,6 por cento em relação às principais moedas --com destaque para o euro, que atingiu o menor valor em quatro semanas depois que a confiança do investidor alemão caiu mais que o esperado.

O euro, que era cotado abaixo de 1,43 dólar, já tem sofrido nas últimas sessões com a preocupação do mercado em torno do elevado déficit público da Grécia.

Outros mercados, no entanto, mostravam um cenário favorável a ativos de maior risco. O Ibovespa, por exemplo, chegou a superar brevemente o patamar de 70 mil pontos, acompanhando o bom desempenho das bolsas de valores globais.

"O mercado estava um pouco pior aqui do que lá fora no começo do dia. À tarde, se alinhou", disse o operador de um importante banco nacional, que preferiu não ser identificado.

Para Marcelo Portilho, estrategista da CM Capital Markets, algumas incertezas a respeito da economia global têm ajudado a sustentar a moeda norte-americana. Um exemplo é a possibilidade de uma desaceleração econômica da China, que elevou pela segunda semana seguida o rendimento dos bônus de um ano no mercado aberto, em mais um sinal de aperto monetário.

"O consumo de commodities do Brasil poderia diminuir", disse, em referência ao principal componente da pauta de exportações do país.

A própria deterioração das contas externas é um dos fatores que tem ajudado a pressionar o dólar no começo de 2010, acrescentou Portilho, que também citou a expectativa com a campanha eleitoral e o "receio de que o próximo governo, seja qual for, adote uma política de real fraco".

Nas duas primeiras semanas do ano, o déficit comercial do Brasil já soma 967 milhões de dólares.

O Banco Central divulga na quarta-feira dados atualizados sobre o fluxo cambial, qua na primeira semana de janeiro ficou negativo em 1,768 bilhão de dólares por conta de remessas financeiras.

Outros profissionais do mercado também citam a possibilidade de compras de dólar pelo Fundo Soberano do Brasil como fator de alta para a moeda norte-americana.

O governo, no entanto, já tem enxugado a entrada de dólares para o país por meio do BC --até mantendo as compras em ambiente de fluxo negativo e, com isso, reduzindo as posições compradas de bancos no mercado à vista.

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