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20/01/2010 - 08h28

Brasil prepara ações para tentar retomar mercado nos Estados Unidos em 2010

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA, 20 de janeiro (Reuters) - Para recuperar parte do terreno perdido no mercado norte-americano no ano passado, com a crise global, o Brasil apostará em 2010 em ações reforçadas de promoção de suas exportações e na negociação de acordos para reduzir barreiras aos produtos brasileiros.

A preocupação é garantir que o país tenha competitividade para aproveitar qualquer oportunidade aberta pela esperada recuperação de demanda dos Estados Unidos.

As exportações brasileiras para os EUA despencaram mais de 40% em 2009 e, com isso, o país norte-americano perdeu para a China o posto de maior parceiro comercial do Brasil. O movimento preocupa porque os EUA são um grande consumidor de manufaturados -produtos de maior valor agregado e com preços menos voláteis que as commodities. 

"O elemento central da retomada das exportações para os EUA será o ritmo de crescimento da economia norte-americana, mas o governo quer agir para criar condições favoráveis para os empresários brasileiros disputarem mercado", afirmou o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Welber Barral.

A Apex, agência de promoção de exportações do governo, afirma que os EUA sempre foram prioridade para o Brasil, mas que a intenção é elevar as ações no país em 2010 de um total de 122 realizadas no ano passado.

A aposta principal será o projeto da Fórmula Indy, evento que conta com o patrocínio da agência e de produtores de álcool.
   Em troca do fornecimento de etanol aos participantes da categoria, o governo negociou o direito inédito de montar stands de negócios em todos os pontos da competição, realizada em vários Estados dos EUA ao longo do ano.

Em 2009, primeiro ano de execução do projeto, a Apex calcula que foram viabilizados negócios da ordem de US$ 370 milhões para o Brasil, resultado que o governo espera aumentar este ano.

Barral afirma que o governo também espera avançar na redução de barreiras para produtos como suco de laranja e camarões.   

Os EUA aplicam direitos anti-dumping contra os camarões importados do Brasil desde 2005. O suco de laranja também sofre medida anti-dumping e ainda é prejudicado, segundo o  governo, por preferências comerciais concedidas pelos EUA a outros países, como o México.      

O Brasil também aguarda com interesse, segundo o secretário, detalhes de proposta recente feita pelo governo dos Estados Unidos para a negociação de um acordo comercial e de investimentos com o Brasil. O secretário diz que o Brasil não pode negociar questões tarifárias fora do âmbito do Mercosul, mas entende que potencialmente pode haver avanços bilaterais em áreas como a tributária e de barreiras não-tarifárias. 

"Os Estados Unidos não apresentaram uma proposta concreta ainda, mas temos muito interesse em negociar um acordo", afirmou Barral, acrescentando que a expectativa é que a chegada do novo embaixador norte-americano no Brasil, Thomas Shannon, possa acelerar os entendimentos.        

Oportunidades
Para Alessandro Teixeira, presidente da Apex, os produtos da agroindústria são os que têm mais chance de bom desempenho este ano, com destaque para alimentos industrializados, cafés finos e sucos.       

Os mármores e granitos brasileiros também devem ser beneficiados por menor competição de produtos da China, que tendem a ser direcionados para atender uma esperada elevação da demanda doméstica, afirmou o economista.      

Já produtos como eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos, calçados e têxteis -que sofrem competição mais agressiva dos asiáticos- terão de buscar cada vez mais diferenciais para incrementar as exportações aos EUA. 

"Ou investimos em nichos de mercado, como já estamos fazendo, ou vamos ter problemas", alertou Alessandro.

Para José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil, o país falhou ao negligenciar o mercado dos EUA nos últimos anos. Ele reclama da falta de missões comerciais ao país com a presença de ministros --eventos que ajudariam a reforçar a imagem dos produtos brasileiros.

"O Brasil tem hoje uma imagem altamente positiva no mundo e o momento é o de vincular isso à capacidade do país de exportar manufaturados", avaliou.

Ele acrescenta que, em um momento de extrema competição global, o Brasil tem a desvantagem do câmbio apreciado. O dólar acumulou queda de cerca de 25% frente ao real em 2009.   

Teixeira, presidente da Apex, argumenta que, apesar da redução da participação dos EUA no destino das exportações brasileiras, que ele atribui essencialmente à desaceleraçào da economia norte-americana, a presença de empresas brasileiras por lá tem crescido. Ele cita como exemplos expansão de investimentos de Gerdau, Embraer,  Tramontina e Coteminas.

(Edição de Daniela Machado)
 

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