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26/01/2010 - 16h53

Dólar amplia sequência de altas, mas perde fôlego no fim

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar galgou a sexta alta consecutiva nesta terça-feira, reagindo à manutenção do cenário cauteloso no exterior --desta vez, por medidas da China para tentar manter o crescimento do país sob controle.

A moeda norte-americana terminou o dia a 1,836 real, em alta de 0,88 por cento. No ano, com 14 altas em 17 sessões, o dólar acumula valorização de 5,34 por cento.

Mas a subida perdeu força durante a tarde, acompanhando a melhora das bolsas internacionais e a menor valorização do dólar em relação a moedas de perfil semelhante à brasileira.

Na máxima, o dólar chegou a 1,849 real, alta de 1,59 por cento, e analistas de mercado já veem sinais de esgotamento da sequência de desvalorização do real.

A alta da moeda norte-americana nesta terça foi associada ao aumento dos depósitos compulsórios em 0,5 ponto percentual por alguns bancos na China. A medida é mais um sinal de que o país tenta evitar um superaquecimento da economia, o que pode ter reflexos sobre o consumo de commodities, principal componente da pauta de exportações do Brasil.

Além do aperto monetário na China, outros fatores causaram turbulência no mercado internacional nos últimos dias e ajudaram a sustentar o dólar. Profissionais de mercado citam, por exemplo, a proposta do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de fazer uma ampla reforma no sistema financeiro, além da incerteza sobre a aprovação pelo Congresso do segundo mandato de Ben Bernanke no Federal Reserve.

Internamente, o mercado de câmbio também vinha sendo pressionado pela piora nas transações correntes do país e pela possibilidade de compra de dólares pelo Fundo Soberano.

Nesta terça-feira, o Tesouro evitou projetar emissões de títulos para aumentar o poder de fogo do fundo na compra de dólares. No anúncio do Plano Anual de Financiamento (PAF), porém, o secretário do Tesouro Arno Augustin afirmou que possíveis emissões estão embutidas na estimativa de crescimento da dívida em 2010, e que "os objetivos do governo para o Fundo Soberano são melhor atingidos se a gente não divulgá-los".

POSSÍVEIS AJUSTES

Embora a alta do dólar ao longo de janeiro tenha aberto caminho para revisões de estimativas por parte de algumas instituições, como o Barclays Capital, muitos agentes de mercado já afirmam que, após seis altas consecutivas, há espaço para uma reversão parcial desse movimento.

"Nós achamos que esses fatores (para a alta do dólar) vão se reverter ou parar de atuar, e por isso vemos uma oportunidade de compra de reais", disse Tony Volpon, estrategista da Nomura Securities International, em Nova York.

André Sacconato, economista da Tendências Consultoria, tem avaliação semelhante. "A tendência é de valorização do real nos próximos meses", afirmou. Ele pondera, no entanto, que a taxa de câmbio depende do cenário externo, e pode ainda "dar uma esticada" nos próximos dias.

Em relatório nesta terça-feira, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, o Instituto Internacional de Finanças estimou um aumento de 66 por cento no fluxo de capital aos países emergentes, para 722 bilhões de dólares. China e Brasil devem liderar esse crescimento, acrescentou.

(Reportagem de Silvio Cascione)

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