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01/02/2010 - 10h10

Orçamento de Obama prevê novo deficit recorde em 2010

Por Alister Bull e Jeff Mason WASHINGTON (Reuters) - O presidente norte-americano, Barack Obama, apresentou nesta segunda-feira uma proposta orçamentária na qual o deficit público do país vai bater um novo recorde em 2010, contrariando sua meta de manter a responsabilidade fiscal em meio à luta contra o desemprego na casa dos dois dígitos.

Considerado pela oposição republicana como um liberal da velha guarda, afeito a taxar e gastar, Obama está sendo pressionando a convencer investidores e grandes credores como a China que tem um plano confiável para controlar o déficit e a dívida pública.


Embora mantendo neste ano políticas destinadas a estimular a recuperação econômica, Obama tentará poupar dinheiro restringindo 120 projetos federais, inclusive a missão, fortemente simbólica, de retomar voos tripulados à Lua. Realizará, no entanto, mais investimentos em educação e pesquisa.

As pesquisas mostram que o eleitorado está preocupado com a fragilidade das finanças públicas dos EUA, e Obama pretende criar uma comissão bipartidária para discutir propostas sobre tributos e gastos públicos.

O orçamento para o ano fiscal que vai até 30 de setembro de 2011, e que precisa ser aprovado no Congresso, prevê um déficit de US$ 1,56 trilhão em 2010, o que equivale a 10,6% do PIB.

O texto orçamentário, entregue de antemão a jornalistas, deve ser divulgado às 13h (horário de Brasília) e discutido por Obama às 10h45.

O novo aumento no déficit se deve em parte a gastos vinculados ao pacote de estímulo fiscal sancionado pelo presidente em 2009. O déficit atual é de US$ 1,41 trilhão, ou 9,9% do PIB. Esse número deve cair a menos da metade até o final do mandato de Obama, em 2012.

A proposta do governo incorpora uma reforma da saúde ainda não aprovada no Congresso. Já a arrecadação de US$ 646 bilhões resultante da limitação de emissões de carbono e comercialização de créditos para esse fim foi retirada da peça orçamentária, num sinal de que o governo duvida da sua aprovação parlamentar.

"Para manter a criação de empregos e manter o crescimento econômico ao longo do tempo, é importante reduzir esses déficits nos anos seguintes," disse a jornalistas Peter Orszag, diretor orçamentário da Casa Branca.

O crescimento dos EUA no quarto trimestre foi de 5,7%, segundo taxa anualizada, mas isso ainda não se refletiu numa queda do desemprego, que está em cerca de 10%, maior índice em 26 anos.

Para promover a recuperação do emprego, Obama quer reservar em 2010 US$ 100 bilhões para créditos fiscais a pequenas empresas, além de investimentos em energia limpa e infraestrutura. Só no ano seguinte ele deve começar a apertar os cintos nas finanças públicas.

"Estamos tentando um pouso suave em termos da nossa trajetória fiscal, para evitar o risco de 1937, quando fizemos uma redução rápida demais do déficit", disse Orszag.

Economistas dizem que a retirada prematura de políticas de estímulo fiscal contribuiu com o prolongamento da Grande Depressão na década de 1930. Obama não quer repetir esse erro, mas tampouco deseja transmitir aos investidores a sensação de que os EUA são incapazes de colocar ordem nas suas contas públicas.

(Reportagem adicional de Caren Bohan)
 
 

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