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01/02/2010 - 16h47

CÂMBIO-Com ajuda da bolsa, dólar cai após 9 altas seguidas

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - A volta do apetite de investidores estrangeiros por ativos brasileiros interrompeu a sequência de altas do dólar nesta segunda-feira, com a primeira baixa da moeda norte-americana ante o real após nove sessões consecutivas de alta.

O dólar caiu 1,27 por cento, para 1,861 real.

Na segunda metade de janeiro, o aumento da aversão a risco no exterior foi um dos principais motivos para a escalada do dólar no Brasil ao maior nível desde setembro. Mas, nesta sessão, a divulgação de dados melhores que o esperado sobre o setor manufatureiro dos Estados Unidos deu motivo para o abandono de posições mais defensivas.

No Brasil, o Ibovespa subia quase 2 por cento no fim da tarde, refletindo o desempenho também positivo de seus pares norte-americanos. No mês passado, a bolsa paulista havia perdido até o dia 28 pouco mais de 2 bilhões de reais em investimentos estrangeiros.

Profissionais de mercado comentaram, no entanto, que a queda desta sessão não reflete uma virada definitiva no cenário das últimas semanas, em que o dólar vinha pressionado pelo exterior e também por fatores internos, como a preocupação com a atuação do governo por meio do Fundo Soberano.

"A bolsa está puxando um pouco (para cima), então acaba vindo investimento estrangeiro", disse Mario Battistel, diretor de câmbio da Fair Corretora. "(Mas) há mais números para sair nos EUA nesta semana", ponderou.

Serão divulgados, por exemplo, dados sobre as encomendas à indústria (na quinta-feira) e sobre os postos de trabalho (sexta-feira) nos Estados Unidos.

No Brasil, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior divulgou saldo negativo de 166 milhões de dólares na balança comercial em janeiro. O resultado representa uma melhora em relação aos dados parciais divulgados na semana passada, quando o déficit estava em 896 milhões de dólares.

"Fatores sazonais desfavoráveis explicam o resultado negativo no mês, mas a melhora na segunda metade de janeiro era esperada, ainda que não com essa intensidade", escreveram analistas do banco francês BNP Paribas, em relatório.

O déficit comercial no começo do ano era apontado por analistas como um dos fatores que justificava a alta do dólar, pois reiterava o cenário pior para as transações correntes do país ao longo de 2010.

O mercado segue atento também à postura do governo. Na semana passada, em Davos, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que está "feliz" com a atual taxa de câmbio, mas ponderou que ela ainda não atingiu o ponto de equilíbrio, mesmo com a alta de 8,15 por cento do dólar no mês passado.

O Banco Central também se mostra confortável com o atual nível do câmbio, na visão de analistas de mercado, mantendo a mesma política de quando o dólar se desvalorizava frente ao real, com compras diárias por meio de leilões.

No mercado de dólar futuro e cupom cambial, os estrangeiros encerraram janeiro com 7,4 bilhões de dólares em posições compradas na moeda norte-americana --praticamente a mesma condição do fim de dezembro. Na outra ponta se destacaram os bancos, com 14,4 bilhões de dólares em posições vendidas --cerca de 1 bilhão a mais que no mês anterior.

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