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02/02/2010 - 09h14

Crise faz indústria ter em 2009 maior retração desde 1990, diz IBGE

RIO DE JANEIRO, 2 de fevereiro (Reuters) - A produção da indústria brasileira retraiu-se em dezembro pelo segundo mês consecutivo, encerrando 2009 com queda de 7,4%, a mais forte desde 1990, abatida pela crise financeira mundial (veja gráfico ao final do texto).

A atividade recuou 0,3% em dezembro sobre novembro, mas saltou 18,9% ante dezembro de 2008, quando o setor foi fortemente abatido pela crise global, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta terça-feira.


 Analistas consultados pela Reuters previam uma queda mensal de 0,8% e uma elevação anual de 18,4%. As estimativas para a taxa mês a mês variaram de alta de 0,1% a baixa de 1,1%, enquanto para a comparação com o ano passado ficaram entre avanço de 15,5% a 20,7%.

O IBGE revisou para baixo o dado de atividade em novembro, de uma queda inicialmente divulgada de 0,2% sobre outubro para recuo de 0,8%. O dado de outubro sobre setembro foi revisto para cima, de crescimento de 2,3% para 2,9%.

Setores
Em dezembro sobre novembro, as maiores quedas da produção foram de Material eletrônico e equipamentos de comunicações (-12,2%), Veículos automotores (-1,2%) e Alimentos (-1%).

Entre as categorias de uso, apenas os bens de consumo duráveis tiveram recuo, de 4,9%, sugerindo, segundo o IBGE, "uma acomodação após crescimento ao longo de 2009, influenciado principalmente pelos incentivos fiscais para automóveis e eletrodomésticos da linha branca".

A atividade de bens intermediários cresceu pelo 12º mês seguido, em 1%; a de bens de capital teve variação positiva de 0,3%; e a bens de consumo semi e não duráveis subiu 0,4%.

Em relação a dezembro de 2008, a produção cresceu em 22 dos 27 setores, com destaque para Veículos automotores (129,6%), e Máquinas e equipamentos (33,9%).

 "Embora esse quadro de recuperação tenha sido disseminado entre os setores, foi especialmente marcado naqueles mais sensíveis à restrição de crédito, particularmente a cadeia do setor automobilístico, e à queda das exportações de commodities, que, em dezembro de 2008, com a finalidade de ajustar estoques, haviam dado férias coletivas e/ou realizado paralisações não programadas", disse o IBGE.

Todas as categorias de uso tiveram crescimento ano a ano, sendo a maior a de bens de consumo duráveis, de 72,1%. A produção de bens de capital saltou 23%; a de bens intermediários aumentou 21%, e a de bens de consumo semi e não duráveis avançou 6%.

Em 2009 como um todo, as quedas mais fortes da atividade foram de Máquinas e equipamentos (-18,5%), Veículos automotores (-12,4%) e Metalurgia básica (-17,5%).

A produção de bens de capital recuou 17,4%; a de bens intermediários caiu 8,8%; a de bens de consumo, duráveis declinou 6,4%; e a de bens semi e não duráveis teve baixa de 1,6%.
 

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier; Edição de Vanessa Stelzer e Alberto Alerigi Jr.)
 
 

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