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11/02/2010 - 15h28

Spot elevado faz Vale buscar novo sistema para preços do minério

Por Marcelo Teixeira

SÃO PAULO (Reuters) - A forte alta nos preços do minério de ferro no mercado à vista (spot) estão levando a Vale, maior produtora mundial da commodity, a sugerir um novo modelo para a definição dos preços para 2010, informaram executivos da empresa nesta quinta-feira.

Em uma teleconferência para analistas com o objetivo de comentar os resultados trimestrais divulgados na véspera , a Vale deixou claro que não aceitará uma grande diferença entre os preços no mercado spot e os dos contratos de longo prazo (benchmark), e que prefere que um novo sistema, mais flexível, seja adotado.

Grandes siderúrgicas e mineradoras estão no estágio inicial das negociações para a eventual definição de um preço fixo do minério para 2010, como ocorre todo ano.

No último ano, no entanto, nem todas as siderúrgicas aceitaram os preços dos contratos benchmark, assim como muitas mineradoras preferiram vender volumes cada vez maiores no mercado spot, o que jogou dúvidas sobre a manutenção de um sistema de preços de longo prazo.

O diretor de Ferrosos da Vale, José Carlos Martins, citou a forte variação dos preços no mercado à vista no ano passado para exemplificar a necessidade de um novo formato que corrija os desequilíbrios.

"... em junho do ano pasado o preço spot estava abaixo do benchmark, e atraiu um monte de gente. Mas depois ele se igualou ao benchmark por um tempo, uns 3 meses, e de outubro em diante o spot subiu acima do benchmark", afirmou.

"Essas mudanças indicam que precisamos ter a definição de um sistema que tenha flexibilidade para lidar com essas variações. Essa é a nossa estratégia nas negociações", acrescentou Martins.

"Nós sempre mantemos nossa política de vender no benchmark, mas não podemos manter essa diferença de preço para o spot, que hoje está o dobro do valor do benchmark. Esperamos que nossos clientes entendam isso".

Analistas esperam um aumento nos preços anuais de entre 35 e 50 por cento.

A Vale teve dificuldade de retomar o ritmo de produção pré-crise, em parte devido à alta velocidade da recuperação na demanda, e espera a manutenção de um cenário forte nos próximos meses.

"O mercado está demandando mais do que nós podemos entregar", admitiu o diretor financeiro, Fábio Barbosa.

"A Europa está se recuperando mais rápido do que o esperado. A (demanda na) China já está acima dos níveis pré-crise", disse Martins.

A companhia salientou, no entanto, que está se ajustando para poder atender ao aumento nas vendas.

CUSTOS

O aumento nos custos da companhia, revelados no balanço trimestral, foram alvo de questionamentos de analistas durante a teleconferência.

Barbosa citou vários fatores que provocaram a elevação dos custos, entre eles os relacionados à necessidade de retomar a capacidade de produção rapidamente, após a virada positiva nas vendas.

"Nós contratamos mais mil empregados no quarto trimestre, tivemos muito trabalho com manutenção para retomar as operações que estavam paralisadas, além de gastos com terceirizados", afirmou.

Ele também citou aumento nos custos com energia, gastos com questões trabalhistas e o efeito da apreciação do real. De acordo com Barbosa, parte dos itens que elevaram os custos são sazonais, outros permanentes.

(Edição de Camila Moreira)

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