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12/02/2010 - 16h06

BM&FBovespa amplia acordo com CME e quer vice-liderança

Por Daniela Machado

SÃO PAULO (Reuters) - De olho na vice-liderança mundial das bolsas, a BM&FBovespa incrementou sua parceria com o CME Group e espera reforçar sua presença tanto nas negociações de alta frequência de grandes players mundiais quanto no varejo.

"Até o final de 2011, início de 2012, vamos buscar ser a segunda maior bolsa de valores do mundo", afirmou a jornalistas nesta sexta-feira o presidente-executivo da instituição, Edemir Pinto, ao detalhar o investimento de 620 milhões de dólares para elevar, de 1,8 para 5 por cento, a participação no capital total da CME, num valor equivalente a 1 bilhão de dólares.

Atualmente, a BM&FBovespa ocupa a terceira posição no ranking, atrás do próprio CME Group e da Hong Kong Exchanges & Clearing em valor de mercado.

A expectativa da bolsa brasileira é que o incremento da participação ajude a última linha do balanço da BM&FBovespa, via equivalência patrimonial, informou Carlos Kawall, vice-presidente financeiro.

Ele também explicou que, entre as opções para financiar o acordo, está a captação de recursos no mercado doméstico ou mesmo internacional. "Deve ser alguma alternativa de renda fixa, isso também melhora nossa estrutura de capital, que hoje é totalmente em equities", disse.

Segundo Edemir Pinto, a bolsa teria caixa próprio para o pagamento, mas o funding deve vir mesmo de um mix entre esses recursos e dívida. "Está afastada qualquer possibilidade de emissão primária de ações para financiar os custos."

Às 16h, as ações da BM&FBovespa recuavam 1,3 por cento, para 12,14 reais, enquanto o Ibovespa caía 0,54 por cento.

A expectativa é de que a assembléia de acionistas para concluir o acordo e bater o martelo sobre a forma de financiamento ocorra em abril.

O negócio envolve uma série de cooperações em tecnologia, com investimentos de cerca de 175 milhões de dólares pela BM&FBovespa em 10 anos. A cifra inclui transferência de licenças perpétuas e propriedade intelectual pelo CME Group.

A parceria tem prazo inicial de 15 anos e, a cada cinco anos, haverá uma análise para realinhamento das estratégias.

MILISSEGUNDOS

"A partir de agora, em conjunto, vamos identificar oportunidades de acordos no mundo", acrescentou Edemir Pinto.

Questionado sobre os focos principais de crescimento e internacionalização, ele afirmou que "tudo está no nosso farol, exceto a Cetip", que foi alvo antes da desmutualização.

O executivo citou que os três principais segmentos para os quais a bolsa brasileira está olhando são: abrir o mercado local para o investidor de varejo internacional; atrair grandes players globais, principalmente os que trabalham com alta frequência; e fornecimento de serviços e know-how para mercados de países em desenvolvimento, como os da América Latina.

A parceria com o CME Group prevê o desenvolvimento de uma nova plataforma eletrônica de negociação que integrará todos os segmentos até o final de 2011, com tempo de processamento de negócios inferior a um milissegundo.

A BM&FBovespa também mantém os olhos sobre o mercado de balcão, com a possibilidade aberta pela crise global de registro desses negócios em ambientes considerados mais transparentes. O acordo prevê oportunidade de desenvolver um sistema de clearing com a expertise do CME Group na ClearPort, que tem o maior volume de derivativos de balcão do mundo.

Segundo o executivo, a bolsa paulista também estuda um projeto para oferecer às empresas brasileiras que estão na BM&FBovespa a possibilidade de serem listadas em bolsas na Ásia, algo que permitiria operações durante 24 horas.

"Isso ainda está em desenvolvimento... a ideia é buscar um piloto, um mercado (asiático) que tenha mais visibilidade para começar o projeto."

No final do ano passado, a BM&FBovespa já havia firmado parceria com a Nasdaq OMX, que deve resultar em seis a nove meses numa plataforma para distribuição internacional dos preços dos ativos negociados na bolsa brasileira.

Na América Latina, foi assinado acordo com o Chile para possível fornecimento de serviços e tecnologia. A expectativa é de que em duas semanas saia algo semelhante com a Colômbia.

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