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12/02/2010 - 10h36

China surpreende e eleva compulsório para desacelerar inflação

Por Zhou Xin e Simon Rabinovitch

PEQUIM, 12 de fevereiro (Reuters) - A China surpreendeu os mercados globais às vésperas de seu Ano Novo com um novo aumento dos depósitos compulsórios dos bancos. A medida visa desacelerar os empréstimos bancários e esfriar a crescente inflação.

Quanto maior o compulsório, ou seja, quanto o maior o percentual dos depósitos que o banco tiver que manter em suas reservas, menor é o montante disponível para empréstimos, o que ajuda a controlar o aquecimento do consumo e, por consequência, a inflação.

Embora os investidores já esperassem um novo aumento dos compulsórios pelo banco central chinês, poucos imaginavam que a decisão fosse tomada tão cedo, após uma primeira elevação no mês passado.

Os mercados reagiram assustados com a possibilidade de que o aperto monetário na China seja mais agressivo do que calculavam, o que pode frear a recuperação econômica global.

Investidores se desfaziam de ativos mais arriscados, impulsionando o dólar para uma alta de 0,7% em relação a uma cesta de divisas. Ações caíam pelo mundo, e os preços dos títulos europeus e norte-americanos subiam.

"O banco central está mandando mensagens claras aos bancos, dizendo que quer um nível mais razoável de empréstimos bancários e que está prestando bastante atenção à inflação", disse Xie Xuecheng, economista da Southwest Securities, em Pequim.

O aumento de 0,5 ponto percentual entra em vigor no dia 25 de fevereiro.

A surpresa foi ainda maior porque a China, na quinta-feira, anunciou uma desaceleração inesperada da inflação ao consumidor em janeiro, para 1,5%.

Analistas alertavam para a possibilidade de que a inflação estivesse mais comportada por fatores sazonais, mas os mercados interpretaram o dado como um sinal de que o banco central atuaria de forma mais gradual para realizar o aperto monetário e desmontar a política pró-crescimento.

Mas os dados de janeiro também haviam mostrado que, mesmo com toda a insistência do governo para controlar o crescimento do crédito, os bancos emprestaram 1,39 trilhão de iuans em janeiro (US$ 203,4 bilhões). Foi o terceiro maior volume mensal já registrado.

Os bancos agora precisam manter 16,5% de suas reservas como depósitos compulsórios no banco central.
 
 

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