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12/02/2010 - 13h24

Clima e retomada global pressionam IGP-10 no mês

RIO DE JANEIRO, 12 de fevereiro (Reuters) - A alta de 1,08 por cento do Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) em fevereiro foi a mais expressiva desde julho de 2008, devido à pressão provocada pela recuperação da demanda mundial associada a problemas climáticos.

A variação divulgada nesta sexta-feira pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) segue o avanço de 0,20 por cento em janeiro.

Entre os componentes do indicador, o Índice de Preços por Atacado (IPA) teve avanço de 1,15 por cento em fevereiro, o maior desde julho de 2008, seguindo a oscilação positiva de 0,07 por cento no mês passado.

O destaque no atacado foi o setor industrial, com alta de preços de 1,50 por cento em fevereiro, contra 0,36 por cento em janeiro. Os preços agrícolas avançaram 0,08 por cento, ante queda anterior de 0,85 por cento.

"O mercado internacional está mais comprador no pós-crise," disse o economista da FGV, Salomão Quadros, citando como exemplos os casos das carnes bovinas, afetadas pela retração nas exportações durante a crise e que em fevereiro tiveram alta de 2,21 por cento, ante baixa de 2,37 por cento em janeiro.

Os materiais e componentes para manufatura subiram 2,36 por cento, também refletindo a aceleração da demanda global. No mês de janeiro, a alta tinha sido de 0,65 por cento.

"São reflexos claros da melhora da economia nacional e global. Agora, não tem mais o câmbio para amortecer", disse Quadros ao destacar que os fertilizantes, outro termômetro de aquecimento econômico, subiram 2,06 por cento me fevereiro ante queda de 0,93 por cento em janeiro.

Segundo a FGV, boa parte das elevações em produtos considerados bens finais como batata, arroz e açúcar já chegaram ao varejo.

"A chuva, a entressafra e a perda de safra explicam esse movimento", declarou Quadros.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) aumentou 1,09 por cento, maior variação desde abril de 2003, contra elevação de 0,52 por cento no mês anterior.

Os preços no varejo foram fortemente contaminados por repasses de pressões climáticas no atacado e devido a impactos de preços administrados como ônibus urbano.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) avançou 0,55 por cento em fevereiro, após aumento de 0,30 por cento em janeiro.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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