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12/02/2010 - 15h18

Vendas no varejo dos EUA melhoram cenário de retomada

Por Lucia Mutikani

WASHINGTON, 12 de fevereiro (Reuters) - A confiança do consumidor norte-americano diminuiu em fevereiro, mas um crescimento maior que o esperado das vendas no varejo dos Estados Unidos em janeiro sugeriu que as pessoas estão se sentindo um pouco mais confortáveis para gastar e sustentar a recuperação da economia.

O Departamento do Comércio disse nesta sexta-feira que as vendas totais no varejo cresceram 0,5 por cento. Além disso, as vendas de novembro e de dezembro foram revisadas para cima.

As vendas de dezembro foram revisadas para recuo de apenas 0,1 por cento, contra a queda anteriormente divulgada de 0,3 por cento, enquanto as vendas de novembro foram revisadas para alta 2 por cento, de 1,8 por cento.

Analistas consultados pela Reuters previam para janeiro uma expansão de 0,3 por cento. Ante janeiro do ano passado, as vendas subiram 4,7 por cento.

Preocupações com o alto nível de desemprego no país abateram a confiança do consumidor norte-americano no início deste mês. Uma pesquisa da Reuters/Universidade de Michigan informou que o seu índice preliminar de confiança em fevereiro ficou em 73,7, menos que a leitura de 74,4 no final de janeiro, mas acima dos 56,3 do ano anterior. O dado ficou abaixo das expectativas de 75.

Contudo, analistas foram reconfortados pelo forte número de vendas.

"É uma boa surpresa para a economia. Sugere que o consumidor está disposto a gastar um pouco. Isso diz para nós que as vendas no varejo estão em clara recuperação", disse Kathleen Stephansen, economista-chefe do Aladdin Capital Holdings.

CONFIANÇA CAI

"Eu não ficaria surpreso em ver (a confiança do consumidor) ... cair ainda mais, com o desemprego ainda alto e os consumidores ainda sem dinheiro", disse Alan Lancz, presidente da Alan B. Lancz & Associates em Toledo, Ohio.

As vendas no varejo estão sendo observadas de perto em busca de sinais de que os consumidores têm dinheiro suficiente para sustentar a recuperação da economia quando não houver mais os estímulos do governo e o impulso da formação de estoques.

A economia dos EUA cresceu 5,7 por cento no quarto, a maior expansão em seis anos. O país cresceu por dois trimestres consecutivos após a pior recessão desde a Grande Depressão na década de 1930.

Enquanto a recuperação nos EUA ganhou velocidade, a economia da Europa estagnou. O Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro cresceu somente 0,1 por cento no quarto trimestre em relação aos três meses anteriores, abaixo da previsão de 0,3 por cento e menos que a expansão de 0,4 por cento que tirou a região da recessão no terceiro trimestre.

Em outro relatório, o Departamento do Comércio disse que os estoques empresariais dos EUA caíram 0,2 por cento após ter subido revisados 0,5 por cento em novembro. Economistas ouvidos pela Reuters esperavam um aumento de 0,2 por cento para dezembro.

O alto nível de desemprego nos Estados Unidos enfraqueceu o apetite de compra dos consumidores, mas a melhora das condições do mercado de trabalho pode sustentar as vendas futuras e ajudar a recuperação econômica de forma mais ampla.

"É fácil pintar um cenário negativo sobre o setor imobiliário dado o fraco mercado de trabalho e as amplas perdas de riqueza nos últimos dois anos, mas os dados de gastos ainda parece muito bons", disse Zach Pandl, economista norte-americano do Nomura Securities em Nova York.

As vendas de veículos e autopeças ficaram estáveis no mês passado, depois de subirem 0,1 por cento em dezembro.

Excluindo-se veículos e autopeças, as vendas no varejo subiram 0,6 por cento em janeiro após caírem 0,2 por cento no mês anterior. Economistas esperavam um ganho de 0,5 por cento. As vendas de eletrônicos e lojas de eletrodomésticos subiram 1,2 por cento após declinarem 3,5 por cento em dezembro.

As vendas de bens esportivos, de livros e as vendas relacionadas a hobbies subiram 1 por cento no mês passado, adicionando ao aumento de 1,9 por cento de dezembro.

O núcleo das vendas no varejo, que exclui a venda de automóveis, gasolina e materiais de construção, aumentou 0,8 por cento, depois de cair 0,3 por cento em dezembro. O núcleo das vendas praticamente corresponde ao componente de gastos do consumidor no registro do PIB do governo norte-americano.

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