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25/02/2010 - 18h11

Após lucro recorde, BB vê novo salto do crédito em 2010

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - Após registrar lucro recorde em 2009, o Banco do Brasil prevê que o crédito, seu principal motor de expansão, seguirá forte este ano, mesmo com o início do desmonte da blitz anticíclica do governo, que lhe devolveu a liderança entre bancos no país.

O banco estatal reportou nessa quinta-feira lucro líquido de 4,16 bilhões de reais no quarto trimestre, um salto de 41,1 por cento em relação ao mesmo período de um ano antes.

Em 2009, o lucro de 10,15 bilhões de reais, uma alta de 15,3 por cento, é o maior da história de bancos no Brasil, segundo a Economática.

"A estratégia de expansão do crédito será repetida em 2010", disse o presidente-executivo do BB, Aldemir Bendine, a jornalistas nesta quinta-feira, na divulgação dos resultados.

Em 2009, a reboque da ofensiva governamental de fazer os bancos públicos ampliarem empréstimos para amortecer os efeitos da crise, o BB registrou um salto de 33,8 por cento da carteira de financiamentos, para 300,83 bilhões de reais.

Entre os bancos privados, o Itaú Unibanco teve alta de apenas 2,4 por cento no crédito, enquanto Bradesco cresceu sua carteira em 6,8 por cento e o Santander avançou 1,7 por cento.

Os números ilustram o ganho de mercado registrado pelos bancos públicos no relatório de crédito divulgado na véspera pelo Banco Central, já referentes ao primeiro mês de 2010. A fatia dos estatais, que era de 34,2 por cento do sistema em setembro de 2008 --mês de colapso do banco norte-americano Lehman Brothers-- alcançou 41,6 por cento em janeiro.

Outro item que contribuiu para o resultado do BB foi a receita extra de 3,03 bilhões de reais referentes à contabilização de parte dos ganhos atuariais não reconhecidos da Previ, fundo de pensão dos funcionários BB.

Por fim, a melhora da economia, refletida na redução da inadimplência, também contribuiu por permitir que o banco reduzisse as provisões para perdas esperadas com calotes (PDD). em dezembro, essas despesas eram de 18,617 bilhões de reais, 2,4 por cento menos do que três meses antes, embora ainda 36,2 por cento maior do que o valor de dezembro de 2008.

No último quarto de 2009, o saldo de operações vencidas com prazo superior a 90 dias atingiu 3,3 por cento da carteira, acima dos 2,4 por cento de dezembro de 2008, mas cadente em relação ao pico de 3,6 por cento atingido em setembro.

Adicionalmente, as receitas do BB com serviços no trimestre foram de 3,61 bilhões de reais, crescimento de 17,9 por cento na comparação anual.

Em relatório, a Ativa Corretora considerou que o crescimento do crédito e a queda da inadimplência, pontos positivos no balanço, foram ofuscados em parte pela perda de rentabilidade. Às 16h26, a ação do banco caía 1,97 por cento na Bovespa, a 29,85 reais. No mesmo instante, o Ibovespa avançava 0,56 por cento.

O retorno anualizado sobre patrimônio líquido médio (ROE), importante termômetro da rentabilidade de um banco, evoluiu de 47,4 por cento para 56,8 por cento entre o quarto trimestre de 2008 e o de 2009. Mas em bases recorrentes, houve queda de 24,5 por cento para 22,5 por cento.

AÇÕES

A oferta de ações programada pelo BB, incluindo os lotes primário e secundário, pode atingir entre 14 bilhões e 15 bilhões de reais, disse nesta quinta-feira o vice-presidente financeiro da instituição, Ivan Monteiro. O lote secundário equivaleria a cerca de 5 por cento do capital do banco, o que corresponderia hoje a um valor entre 4 bilhões e 5 bilhões de reais.

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