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25/02/2010 - 14h23

Klabin prevê boas vendas e leve alta de investimentos

Por Carolina Marcondes

SÃO PAULO (Reuters) - Após um ano de incertezas por conta da crise econômica global, o que fez com que a preservação do caixa fosse uma das principais prioridades para a Klabin em 2009, a maior fabricante de papéis do Brasil deve vender toda a capacidade de produção em 2010 e até mesmo parte dos estoques formados no ano passado.

Em 2009, a companhia teve que selecionar investimentos, o que fez com que seu orçamento fosse reduzido em 58 por cento, para 247 milhões de reais.

Para 2010, o montante ficará ligeiramente acima do investido no ano passado, disse nesta quinta-feira o diretor-geral da Klabin, Reinoldo Poernbacher, em teleconferência com jornalistas, sem especificar o valor exato.

Entre os destaques para o ano está uma nova caldeira em Otacílio Costa (SC), que irá substituir a atual, que funciona a óleo e queima 20 mil toneladas do combustível por ano, por biomassa. "O investimento será de cerca de 35 milhões de reais", afirmou o executivo.

Antes da crise econômica, a Klabin estudava investimentos em Otacílio Costa e em Correia Pinto, a última cidade também em Santa Catarina. Os dois projetos foram paralisados.

De acordo com Poernbacher, a retomada desses investimentos dependerá do próprio mercado e do câmbio. "A capacidade de produção de kraftliner no Brasil é maior que o consumo interno, então qualquer nova produção é destinada a exportação."

O volume de vendas de kraftliner, que respondeu por 25 por cento das vendas de 1,544 milhão de toneladas da Klabin no ano passado, foi de 109 mil toneladas no quarto trimestre, queda de 9 por cento contra o mesmo período de 2008.

FÁBRICA DE CELULOSE NO PARANÁ

A nova fábrica de celulose da Klabin, que deverá produzir a commodity para consumo próprio e até para venda no mercado será construída no Paraná, onde a companhia possui sua principal unidade e uma grande base florestal.

O total do investimento e a previsão do início de implantação da unidade não foram divulgados.

Recentemente, a Klabin comprou cerca de 7,5 mil hectares de terras no Mato Grosso do Sul, mas a companhia garante que elas são destinadas apenas a pesquisa e desenvolvimento de material genético. "Vamos deixar as florestas prontas e o mercado nos dará os indicadores de quando será interessante fazer."

A redução de 299 milhões no resultado final do quarto trimestre de 2009 por redução de dívida com a Receita Federal no âmbito do programa de parcelamento fiscal Refis fez com que a Klabin registrasse prejuízo líquido de 185 milhões de reais no período.

O prejuízo é menor que a perda de 314 milhões do mesmo período de 2008 e se compara ao resultado final negativo de 210 milhões de reais esperado, em média, por seis analistas consultados pela Reuters.

O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de 219 milhões de reais entre outubro e dezembro de 2009, o que representa uma queda de 10 por cento ante os 242 milhões de reais dos mesmos meses de 2008.

A receita líquida trimestral totalizou 805 milhões de reais, estável em relação aos 806 milhões de reais de um ano antes.

O lucro no acumulado de 2009 totalizou 333 milhões de reais, revertendo o prejuízo de 349 milhões de reais de 2008. A receita anual caiu quatro por cento, para 2,96 bilhões de reais, enquanto o Ebitda avançou três por cento, para 747 milhões de reais.

A companhia encerrou 2009 com endividamento líquido de 2,57 bilhões de reais, queda de 31 por cento em relação ao final de 2008, pela variação do câmbio sobre a parcela da dívida em moeda estrangeira.

A relação entre dívida líquida e Ebitda, que em 31 de dezembro de 2008 era de 5,1 vezes, estava no final de dezembro em 3,4 vezes.

As ações da Klabin recuavam 2 por cento às 13h20, para 4,86 reais. No mesmo horário, o Ibovespa perdia 1,14 por cento.

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