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26/02/2010 - 21h25

Brasil Foods fecha 4o tri no azul e lucra R$228 mi em 2009

SÃO PAULO (Reuters) - A Brasil Foods, maior exportadora mundial de aves, reverteu as pesadas perdas com derivativos cambiais que marcaram 2008 e registrou lucro de 228 milhões de reais no ano passado.

A empresa obteve um lucro marginal de 6 milhões de reais no quarto trimestre de 2009, ante prejuízo proforma de 1,3 bilhão de reais em igual período do ano anterior, e espera que o mercado interno lhe dê um bom impulso em 2010, enquanto a recuperação no exterior segue lenta e gradual.

O Ebitda (sigla em inglês para os ganhos antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) foi de 370 milhões de reais no trimestre encerrado em dezembro, ante resultado proforma de 1,02 bilhão em igual período anterior.

Em 2009, o ebitda ficou em 1,22 bilhão de reais, contra 2,3 bilhões em 2008.

A empresa, formada pela compra da Sadia pela Perdigão no ano passado, parece estar superando, enfim, as grandes perdas sofridas pela Sadia no auge da crise global, quando pesadas aplicações que apostavam na queda do dólar se mostraram um péssimo negócio.

A receita bruta da companhia no ano passado ficou em 24,4 bilhões de reais, queda de 4 por cento em relação a 2008, sob efeito de menores vendas no mercado externo, que registrou perdas de 6 por cento em volume e de 16 por cento em preços, afirmou o diretor financeiro Leopoldo Saboya.

Vários dos principais mercados da empresa no exterior foram afetados pela crise global.

O mercado externo registrou vendas de 9,1 bilhões de reais, queda de 14 por cento ante 2008.

No mercado interno, a empresa registrou faturamento de 15,2 bilhões de reais, alta de 4 por cento em relação a 2008, impulsionado pelos preços que cresceram no ano 6 por cento.

Em volumes, a companhia registrou queda de 1,9 por cento no mercado interno, especialmente em lácteos e produtos in natura.

Saboya afirmou que a companhia espera uma recuperação lenta e gradual no volume de vendas externas em 2010, com aumento de vendas de 3,5 a 5 por cento.

"Não esperem mudanças repentinas nos mercados (externos), tanto em termos de volume como em preços", disse a jornalistas.

No mercado interno, a companhia estima um crescimento de mais 8 por cento em volumes nesse ano.

Nos produtos processados, o executivo estima um crescimento acima de dois dígitos para as vendas no Brasil.

"No mercado interno estamos bastante positivos. Estamos vendo crescimento da massa salarial, o PIB deve ter evolução e também crescimento do salário mínimo. E outra coisa importante: o custo está caindo", afirmou Saboya, esperando um cenário mais estável para o câmbio.

MOEDA E AJUSTES CONTÁBEIS

Se no passado a exposição cambial prejudicou a companhia, recentemente ela foi benéfica.

O dólar terminou 2008 em 2,34 reais, e em 2009 em 1,74 real, segundo números da empresa, afetando positivamente as operações financeiras.

No ano, a companhia registrou uma receita financeira de 588 milhões de reais, boa parte disso pelo câmbio.

No quarto trimestre, a companhia informou que o lucro foi afetado por ajustes financeiros e padronizações contábeis, que incluem a questão da ociosidade de plantas que estão em fase inicial de produção.

"O resultado líquido ficou bastante machucado. No resultado do 4o tri se concentraram ajustes necessários pela legislação", afirmou Saboya.

"Toda a ociosidade que antes ficava no diferido, agora entra no resultado", acrescentou o executivo.

CADE, INVESTIMENTOS E DÍVIDAS

Saboya afirmou que a companhia, que anteriormente esperava a aprovação do Cade para a união das duas empresas ainda no primeiro trimestre, agora trabalha com a perspectiva de que isso saia entre o final do primeiro semestre e o início do segundo.

"Estamos na contagem regressiva. É algo que precisa acontecer, é muito importante para a organização. O processo está caminhando bem", afirmou, estimando sinergias de aproximadamente 500 milhões de reais por ano.

Mas o aproveitamento total dessas sinergias só deve ocorrer em 2012.

A Brasil Foods estima investimentos entre 1 e 1,1 bilhão de reais em 2010, montante que deve ser financiado com a própria geração de caixa da empresa.

O número contrasta com os mais de 4 bilhões de reais que Perdigão e Sadia investiram em 2008, quando vários projetos novos estavam em desenvolvimento e a Perdigão adquiriu a Eleva.

Saboya afirmou que a companhia pretende utilizar os 750 milhões de dólares captados por meio de emissão de dívida no início do ano para antecipar pagamentos que venceriam em 2011 e 2012. O objetivo é alongar o perfil da dívida.

A companhia possui 2,8 bilhões de reais de dívidas que vencem em 2010 e vai utilizar recursos em caixa para o pagamento.

A dívida bruta total da companhia é de 8,8 bilhões de reais, sendo um pouco mais da metade em moeda estrangeira.

(Reportagem de Roberto Samora)

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