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27/02/2010 - 19h26

Terremoto vai afetar economia e conter juros no Chile

(Reuters) - Um forte terremoto de magnitude 8,8 atingiu o Chile na madrugada deste sábado, forçando grandes mineradoras a suspender operações e destruindo estradas e pontes.

A seguir, analistas comentam as implicações que o sismo pode ter na economia do Chile e nos mercados financeiros.

NICK CHAMIE, ANALISTA-CHEFE DE PESQUISA DE MERCADOS

EMERGENTES, RBC CAPITAL MARKETS, EM TORONTO

"Haverá um impacto profundo e abrangente na economia chilena e nos mercados financeiros. No futuro imediato é bastante provável que o peso chileno sofra uma queda forte, já que a atividade econômica será debilitada pelos efeitos do terremoto nos setores industrial e agrícola na região mais atingida."

É provável que o banco central mantenha a liquidez e as condições monetárias extremamente frouxas no futuro imediato, para apoiar os esforços do governo na estabilização do sistema econômico e financeiro.

Haverá um custo fiscal grande para o governo nesse esforço, assim como para negócios e indivíduos. Entretanto, a poupança consistente do governo pode lhe permitir absorver esses custos sem efeitos significativos em sua saúde fiscal.

No longo prazo, o esforço de reconstrução deve proporcionar um impulso à atividade econômica, embora isso leve vários anos."

ALBERTO RAMOS, ECONOMISTA SÊNIOR DO GOLDMAN SACHS EM NOVA

YORK

"Em termos de atividade, vai criar interferências sérias durante algumas semanas, o que vai afetar o PIB durante o primeiro trimestre e provavelmente no segundo. Depois disso veremos uma retomada da atividade ancorada no esforço de reconstrução.

Isso terá um efeito moderado no peso. O fato de que podem resgatar alguns dos títulos no exterior vai ajudar a estabilizar a moeda.

Na política monetária, o banco central estava a caminho de normalizá-la no final do segundo trimestre de 2010. Dependendo do impacto na economia, podem manter a atual política de estímulo por mais algum tempo.

No curto prazo, os setores de varejo e outros serão fortemente afetados, e no médio prazo os setores de construção e materiais serão beneficiados.

Felizmente os chilenos têm a economia mais bem administrada do hemisfério, e serão capazes de lidar com essa adversidade terrível.

Isso vai implicar um dispêndio fiscal adicional em 2010 para financiar o esforço de reconstrução. Mas eles têm uma situação fiscal sólida e poupança no exterior que pode ser usada para bancar o aumento de estímulo necessário."

CURTIS MEWBOURNE, GERENTE DE PORTFÓLIO DO FUNDO DE TÍTULOS

DE MERCADOS EMERGENTES DA PIMCO

"Relatos preliminares não indicam um dano relevante à indústria mineradora, o maior setor da economia e responsável por cerca de 20 por cento do PIB e metade das exportações. E a população é altamente urbanizada, com cerca de metade do país vivendo na grande Santiago, que está a aproximados 320 quilômetros do epicentro do terremoto. Por isso esperamos que o impacto econômico direto seja limitado, sendo que os maiores riscos são os tsunamis, ainda imprevisíveis.

"À medida que a prioridade migre das necessidades humanitárias urgentes para a reconstrução, a estabilidade das finanças do Estado chileno irá facilitar esse esforço. Continuamos a monitorar a situação no Pacífico, já que vários outros países do hemisfério estão no alerta de tsunamis, como Indonésia e Filipinas."

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