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01/03/2010 - 15h36

UE pede mais medidas de austeridade fiscal à Grécia

Por Ingrid Melander e Lefteris Papadimas

ATENAS (Reuters) - A União Europeia pediu à Grécia nesta segunda-feira que tome medidas adicionais de austeridade dentro de alguns dias para combater a crise da dívida, e prometeu ajudar o país a superar o problema.

O comissário de assuntos econômicos e monetários da UE, Olli Rehn, fez o pedido depois de conversar com autoridades gregas, em meio a crescentes expectativas do mercado para uma combinação de medidas de redução de déficit e auxílio prático da UE para a dívida da Grécia.

"Eu tenho certeza de que, juntos, nós devemos superar esses tremendos desafios econômicos e fiscais", disse Rehn após a reunião com o ministro das Finanças grego, George Papaconstantinou.

"Eu quero encorajar as autoridades gregas a considerar e anunciar medidas adicionais nos próximos dias para cumprir sua meta", disse ele.

O primeiro-ministro, George Papandreou, pareceu estar preparando a nação para mais sacrifícios em comentários transmitidos ao gabinete, dramatizando a crise e apelando por apoio público.

O seu ministro do Trabalho propôs o congelamento das pensões neste ano como uma medida para conter gastos.

"Hoje nós pedimos aos homens e mulheres gregos que se juntem à nossa causa comum para salvar nosso país, e a grande maioria dos nossos cidadãos está disposta a fazê-lo apesar do fardo ... Todos dizem sim", disse Papandreou.

Ele tem uma reunião potencialmente crucial em Berlim na sexta-feira com a chanceler Angela Merkel, da Alemanha --maior economia da Europa e que detém a chave para qualquer auxílio financeiro.

Uma porta-voz do governo alemão reiterou que depende da Grécia seguir a consolidação fiscal para ganhar confiança dos mercados, e disse que Berlim não tem nada novo para informar sobre possíveis medidas para ajudar a Grécia.

O custo do crédito para a Grécia caiu ao seu menor nível desde a metade de fevereiro por expectativas de que o governo concorde sobre novos aumentos de impostos e cortes de gastos para reduzir o déficit orçamentário, que especialistas em UE dizem ter crescido devido à persistente recessão.

Isso, por sua vez, pode gerar um auxílio tangível da UE aos esforços da Grécia para pegar emprestado ou refinanciar cerca de 25 bilhões de euros até o fim de maio, possivelmente através de garantias públicas de compras de bônus gregos por bancos, disseram autoridades gregas e parlamentares alemães.

"Parece que nós estamos nos aproximando de um acordo sobre a Grécia de alguma maneira", disse Sean Maloney, estrategista da Nomura.

MEDIDAS EXTRAS

O governo socialista já anunciou duas séries de medidas de redução de déficit, incluindo o congelamento dos salários e cortes em suplementos de renda no setor público, aumento de impostos, uma vigilância maior contra a evasão de impostos, maiores taxas sobre combustíveis e cortes nos gastos públicos.

Mas Papandreou, cuja taxa de aprovação permanece alta apesar de uma greve geral de 24 horas contra seu plano de austeridade na semana passada, prometeu novas medidas se necessário para atingir a meta de déficit.

Entre as medidas sendo analisadas estão um aumento no imposto sobre artigos de luxo, uma elevação maior dos impostos sobre combustíveis, o congelamento das aposentadorias do setor público e mais cortes nos gastos estatais, disseram autoridades gregas.

A Comissão Europeia, braço executivo da UE, deve divulgar um relatório sobre a implementação do plano de consolidação fiscal da Grécia aos ministros das Finanças do bloco no dia 16 de março.

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