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03/03/2010 - 12h31

Unica vê alta de mais de 10% na produção de açúcar em 2010/11

Por Bruce Hextall

CANBERRA (Reuters) - A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) estima que a produção de açúcar do Brasil vai saltar mais de 10 por cento em 2010/11, em meio a uma alta da produtividade e a uma esperada recuperação nos preços globais.

Segundo Eduardo Leão de Sousa, diretor-executivo da Unica, a produção de cana do país deve subir 10 por cento, em linha com outras estimativas do mercado. Ele destacou que a quantidade de açúcares totais recuperáveis também vai subir.

"Deveremos ter pelo menos 140 quilos por tonelada de açúcar recuperável", disse ele em uma conferência de commodities na capital australiana nesta quarta-feira.

Isso significaria um aumento de cerca de 8 por cento ante 2009/10, em que a taxa de açúcares totais recuperáveis está em torno de 130 quilos por tonelada. Até a primeira quinzena de fevereiro em 2009/10, o Brasil moeu 532,5 milhões de toneladas.

"Devemos também esperar um aumento da taxa de crescimento para açúcar e etanol que será maior do que a de cana, devido aos ganhos na produtividade que esperamos --deve ser muito mais de 10 por cento que esperamos para o crescimento da cana-de-açúcar", completou ele.

Os preços do açúcar têm enfrentado uma montanha-russa. Desde que atingiram uma máxima de 29 anos de 30,40 centavos de dólar em 1o de fevereiro, o açúcar bruto recuou 30,52 por cento.

Mas Sousa, repetindo outros panoramas altistas apresentados na conferência, disse que os preços devem se fortalecer porque o consumo global ainda supera a produção, apesar da controversa medida da União Europeia no mês passado de exceder suas cotas de exportação.

Além disso, disse ele, a produção foi afetada por safras mais fracas no ano passado tanto no Brasil quanto na Índia, o maior consumidor mundial de açúcar e o segundo maior produtor.

A maior refinaria de açúcar da Austrália, a CSR Sugar, também demonstrou otimismo com os preços, sugerindo que os temores iniciais sobre as exportações europeias vão diminuir conforme o mercado volta a se concentrar no desequilíbrio entre oferta e demanda.

O presidente da CSR, Ian Glasson, disse que a Austrália também espera elevar a produção para atender a demanda.

"A produção de açúcar da Austrália tem capacidade para crescer possivelmente 5 a 10 por cento, mas não é como no Brasil, onde o crescimento é de 10 por cento --isso equivale a uma nova indústria de açúcar australiana por ano", disse ele à Reuters.

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